2010/01/31

la longue marche des gays

"Longtemps l'homosexualité été un destin et rarement un choix. Longtemps les homosexuels n'ont pas eu d'histoire collective, pas davantage d'histoire politique ou sociele, presque jamais d'espaces à eux. Les parcours individuels restaient marqués par la solitude, sinon la clandestinité, voir la double vie. Ainsi, jusque dans les années 1960, l'histoire des homosexuels, en Europe comme aux États-Unis, semble avoir été effacée. Niée."

A homossexualidade, que se acantonava à vida privada e se vivia sobretudo à noite, tornou-se, após o Maio de '68, a "questão" gay. Ela transforma-se num assunto público e vive-se com mais frequência em plena luz do dia. As referências culturais, essencialmente literárias na década de 1950, abrem-se ao cinema e à música pop. A homossexualidade é finalmente "despenalizada" em 1982 e a união gay legalizada em 1999. Em trinta anos, do activismo radical à luta contra a sida, do Movimento feminista ao PACS, a libertação gay terá portanto ajudado a mudar em profundidade a sociedade.
Frédéric Martel faz reviver os debates e as lutas dessa revolução, tanto os individuais como os colectivos, no feminino e no masculino, em França e no estrangeiro. E através da saga dos homossexuais, é de toda a história da liberalização dos costumes que trata este livro-testemunho.

2010/01/30

um festival de imagens

Como alguns deverão esperar, aqui deixo uma selecção de imagens da recente escapadela a Cannes em trabalho, com uma passagem por Saint-Tropez a caminho do aeroporto:

O manequim triste, numa montra da baixa

Rua deserta com o Palácio dos Festivais ao fundo

A alvorada em Cannes vista da janela do meu quarto de hotel

A origem de tanto chilreio que se ouvia da minha janela

O Mediterrâneo num dia frio e cinzento

Para alegrar a miudagem, o Carrossel de Cannes

Figura escultórica ao lado do carrossel, para nos alegrar a nós

A baía de Cannes, ao final da tarde do dia antes do regresso

Na dia seguinte, a pequena baía junto ao porto de Saint-Tropez

A caminho de casa, vendo-se a neve pela janela do avião

Cannes estava sem muita gente e à noite era quase impossível encontrar pessoas nas ruas. Após uma primeira noite de exploração dos locais interessantes da cidade, desoladamente vazios ou fechados, soube no dia seguinte que havia pouco movimento por esta altura. Valeu-me o Zanzibar e pouco mais. Também a saída para as compras, onde adquiri «La Longue Marche Des Gays» de Frédéric Martel (um livro de bolso editado pela Galimard em 2002), «Les Années Psychédéliques: 1966-1971» de Serge Gainsbourg (depois descobri que o CD era uma edição portuguesa de 2007), o álbum «Ágætis Byrjun» dos Sigur Rós (de 1999, já que só tinha os discos a partir de 2002), o documentário de Pierrre Brouwers «Islande: Lumières De Glace» (um DVD de 2009 que estava já na minha lista de compras programadas) e mais uma coisita ou outra.
O melhor da viagem foi mesmo o regresso ao encontro do meu querido companheiro, de quem me custa sempre muito estar longe. Talvez a próxima seja feita a dois e seja para a nossa Reiquejavique de mel :)

winq.

Em Cannes descobri a revista holandesa Winq e comprei-a. Impressa em papel de excelente qualidade, com 132 páginas de formato tradicional, o número de Inverno de 2010 desta publicação trimestral atrai-nos com uma imagem de moda do fotógrafo Steeve Beckouet, as habituais chamadas de capa em títulos com referências a Tom Ford, Jay Brannan, Jim Carrey & Ewan McGregor e outros, além de um belíssimo slogan a definir o conteúdo temático e ideológico da publicação: "global queer culture". Corpo, mente, viagem, cultura, moda e design são os temas de força desta revista feita em Amesterdão e que acabo de descobrir em Cannes. Parece que a winq. (assim é a sua grafia) tem já distribuição em Portugal, embora eu nunca a tenha encontrado exposta em lado nenhum. Como custa em toda a Europa (zona Euro) apenas 6,95€ talvez seja de considerar uma procura também por cá e pela vossa parte. Ou, então, fazer uma subscrição directa, que fica em 35,00€ por um ano (4 números). A revista é quase tão apetitosa quanto o modelo da capa deste número. Creio que não é preciso dizer mais!...

2010/01/23

cannes sob o arco-íris

Um mapa colorido da cidade dos festivais e das estrelas

2010/01/21

vai-se instalando a nostalgia

Entrada da cidade velha, Cannes

2010/01/20

a rotina do francisco e do pedro (2)

A Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida tem uma nova campanha de comunicação a que já nos referimos aqui, na qual se evidenciam dois filmes nos quais "pela primeira vez em Portugal representam-se relações de homens que têm sexo com homens". Ao longo de 27 anos "todas as campanhas de prevenção da infecção em Portugal representaram relações heterossexuais, quer fossem relações ocasionais ou estáveis". Nos últimos anos, "a promoção da utilização consistente do preservativo em relações estáveis tem sido, aliás, uma mensagem frequente", como na "campanha televisiva exibida em Junho de 2008 «Os anjos também têm sexo» sobre o risco de infecção em casais heterossexuais com relações estáveis". Vamos então rever os filmes de ambas as campanhas da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida, acrescentando um guião de ajuda para melhor entendermos cada uma delas:



Um "anjo" observa uma atleta que faz jogging atravessando a baixa da cidade e lança-lhe um apalpão no rabo quando ela pára para atravessar na passadeira. Ela assusta-se, olha-o e sorri-lhe. Depois ele está dentro de um elevador e intervém no fecho da porta para deixar entrar a mulher, que volta a sorrir. A porta fecha-se de seguida e quando se volta a abrir ela ajeita o cabelo enquanto esvoaçam por todo o lado as penas das asas do "anjo", havendo um olhar cúmplice dele sobre ela. Abre-se mais uma porta e é o "anjo" que entra na sua própria casa, sendo recebido com um beijo nos lábios pela companheira que trás uma bebé ao colo (legenda: "Ainda acredita que os anjos não têm sexo?"). Ouve-se a voz de um miúdo a chamar pelo pai. O miúdo aparece e salta para o colo do "anjo", beijando-o na face e abraçando-o. Todos demonstram felicidade (legenda: "Faça o teste VIH/sida").



Um homem de tronco nu faz a barba defronte ao espelho. Já barbeado e de camisa posta acerta o nó da gravata. Deixa uma anotação num bilhete da porta do frigorífico. No quarto de dormir puxa o lençol sobre as costas destapadas de um outro homem, o seu companheiro. Olha para trás, ao sair do quarto, com um sorriso de cumplicidade. Já no escritório recebe o correio das mãos de uma funcionária que quase nem se vê. Em casa, na cozinha, aparece agora o segundo homem já com uma camisola de alças vestida e as calças de pijama, com ar de quem acabou de se levantar. Vai ao frigorífico e ao fechar a porta vê o bilhete onde o primeiro homem tinha feito uma anotação. Pega nele e lê "Frutas / Leite / Ovos / Tostas / Preservativos". Depois aparece sozinho numa lavandaria, onde vai pôr roupa a lavar. No escritório, o primeiro homem está ao telefone. Depois vê-se o segundo de novo sozinho, no supermercado, com um carrinho de compras. Volta-se ao primeiro, que já está com a gabardina vestida e em direcção à porta da rua, acenando um simples adeus ao sair do escritório. No supermercado vê-se a mão do segundo homem a retirar da estante a embalagem de preservativos que vai comprar. Entretanto o primeiro homem já regressou a casa e está a cozinhar. O segundo aparece-lhe por detrás e coloca-lhe as mãos sobre os seus olhos, como se fosse para adivinhar quem chegava. O primeiro volta-se para o outro e os seus olhares encontram-se, encostando as faces com ternura. Ouve-se uma voz em off que diz que "A prevenção faz parte da rotina do Francisco e do Pedro" (entretanto o saco de papel do supermercado tomba sobre o balcão da cozinha e dele solta-se a embalagem de preservativos que tinha sido comprada). A voz acrescenta "E da sua?", surgindo ainda a legenda "Use preservativo!".

Perguntamos então: neste segundo filme faria sentido substituir o Francisco e o Pedro por um casal heterossexual? Sem sinais de infidelidade (não os encontrámos neste filme) faria ainda assim sentido sugerir o uso de preservativo? É que o preservativo só se utiliza quando nos apetece ou quando é preciso. E nenhum elemento do casal (heterossexual ou homossexual) necessita de usar preservativo. Basta que seja monogâmico, fiel e honesto... Que ambos o sejam. Não é pouco, bem sabemos, mas é o que é estritamente necessário. Ora, como o filme do Francisco e do Pedro não tem nenhum ingrediente "malvado", por muito bonito que seja e por muito contentes que nos faça, peca claramente por mostrar um retrato incorrecto de uma relação sexual estável entre dois homens, o seu guião é censurável por criar e acentuar uma visão "pecaminosa" da homossexualidade, por atingir (seja por maniqueísmo ou sem intenção) quem melhor se reveria nesse retrato e que (sem razão) se sente desconfortável com ele: as pessoas como nós, que têm uma relação monogâmica, fiel, honesta e estável!...
O assunto foi recentemente tratado neste blogue, com intervenções institucionais adequadas fora dele, sem que tenha havido o envolvimento e a reflexão que se esperava. Descobrimos uma excepção, num outro blogue para onde apontamos através do título deste texto, cuja leitura recomendamos.

2010/01/16

ajuda o haiti, agora!

Lembra-te que tens 2 opções em relação às vítimas do terramoto no Haiti: ou as ajudas, ou as ignoras!
Se queres ajudar, o mais eficiente neste momento é um donativo em dinheiro a favor das campanhas desenvolvidas para esse fim. Nós escolhemos duas e queremos pedir-te que não deixes para amanhã a tua ajuda aos haitianos, vítimas do brutal terramoto de que todos já ouvimos falar e vimos imagens. São estas as nossas escolhas e sugestões:

AMI - Assistência Médica Internacional – Multibanco (Pagamento de Serviços): entidade 20909 e referência 909 909 909 / Transferência bancária para o NIB 0007 001 500 400 000 00672 ou IBAN PT 50 0007 001 500 400 000 00672.

Cruz Vermelha Portuguesa – Multibanco (Pagamento de Serviços): entidade 20999 e referência 999 999 999 / Transferência bancária para o NIB 0033 0000 4530 7610691 05 ou várias outras contas à escolha no sítio oficial.

Recomendamos a verificação dos dados nos sítios oficiais das instituições, até porque circula já informação fraudulenta. Também fazemos notar que existem outras instituições com o mesmo tipo de apelo e de intervenção, e que algumas delas fazem também acção religiosa (o que pode ser um detalhe importante, dependendo dos valores e da consciência de cada um). Há uma lista maior organizada pelo jornal Público, acessível pela ligação no título.
Os haitianos esperam pela nossa ajuda. E desesperam! Foram vítimas de um cataclismo natural, algo que ninguém está livre de sofrer. E eles sofrem, da miséria em cima da miséria, da falta de meios para enfrentar esta situação excepcional que os atingiu. São seres humanos que estão dependentes da ajuda exterior. São pessoas a quem devemos muito, porque são um reflexo de nós próprios, da nossa fragilidade face à força maravilhosa e brutal da natureza! Eles precisam da nossa ajuda agora, de imediato! Ajuda-os, já!

2010/01/15

de cuecas para a armani

Cristiano Ronaldo vestiu as cuecas da Armani e deixou-se fotografar com elas para se transformar no rosto associado à actual campanha da prestigiada marca italiana de roupa. E não ficou nada mal, tanto que a esta hora da noite já só nos apeteceria dizer-lhe "tira! tira! tira!", a ver se ele as tirava mesmo. Durmam bem e tenham sonhos felizes! :-)

2010/01/14

hiv/sida e homossexualidade masculina

Fui à procura dos números que ontem não me mostraram, mas que demonstrariam que a população homossexual masculina seria uma das mais afectadas em Portugal pelo VIH/sida. A informação partiu de um destacado elemento do Alto Comissariado da Saúde, após o contacto inicial com a Linha Sida da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida a que me referi na entrada anterior. Já na manhã de hoje efectuei uma busca quase infrutífera aos números do HIV/sida em Portugal, encontrando finalmente um documento credível no sítio da AidsPortugal.com, onde se pode consultar um estudo da epidemia no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). No que respeita a Portugal (página 65 e seguintes), o estudo revela que "A via heterossexual é o modo de transmissão mais frequente, conforme mostra o gráfico 5. Outras vias de transmissão importantes são: por meio do compartilhamento de instrumentos para o uso de drogas injetáveis e a transmissão sexual entre homens que fazem sexo com homens." Como se pode ver no gráfico que reproduzimos, este último grupo representa apenas 9% dos casos, não sendo afinal uma parte tão considerável quanto a voz do outro lado do telefone pretendeu fazer-me acreditar.
A campanha que está para começar merece ser elogiada e levada muito a sério, mas o rigor desejado é e será sempre mais elevado do que aquele que até agora encontrámos. O relatório pode ser descarregado pela ligação no título desta entrada.

2010/01/13

a rotina do francisco e do pedro

"A prevenção faz parte da rotina do Francisco e do Pedro... e da sua?" Uma nova campanha publicitária da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida vai passar nas televisões a partir de 18 de Janeiro com a intenção de "promover a utilização consistente do preservativo como único método de barreira de prevenção da infecção". Esta campanha, que será vista também nos cinemas, nas ruas e nas caixas de multibanco, "visa a consciencialização do risco de infecção por VIH em todas as relações sexuais, independentemente da orientação sexual dos (as) parceiros (as) e das relações serem estáveis ou ocasionais". Segundo o sítio da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida (ligação no título), a campanha procura "alertar todas as pessoas, independentemente da sua orientação sexual, para a necessidade de comportamentos e atitudes de prevenção da infecção, através da utilização consistente do preservativo", dando-se pela primeira vez destaque em Portugal às relações sexuais de homens com homens, considerados pela Coordenação Nacional como um dos grupos mais vulneráveis em potencial de risco.
Para tal foram feitos dois filmes publicitários que procuram retratar num uma relação homossexual estável (a do Francisco e do Pedro) e no outro uma relação ocasional. Nobre a intenção, pareceu-nos inadequada a escolha. Isto porque nos revemos (e muito) no spot da relação estável do Pedro e do Francisco e não nos parece que haja no exemplo apresentado qualquer indício de que o uso de preservativo seria necessário. Por outras palavras, numa relação homossexual exclusiva e estável o uso de preservativo é tão necessário quanto em idêntica relação heterossexual. Daí que nos pareça que a mensagem que passa ao comum dos cidadãos é a de que homossexualidade é igual a contaminação quase certa, mesmo quando no casal tudo decorre com normalidade e sem margem de risco. O que se deveria tirar então desta possibilidade, da figura de um casal absolutamente normal, que não tem relações fora do seu próprio relacionamento? Talvez fosse de esperar mais a promoção da estabilidade e da exclusividade, servindo-se desse exemplo. Eu não tenho qualquer dúvida de que há algo que falha neste anúncio e que certamente não encontraríamos no retrato de uma relação estável heterossexual. E que deveria ser corrigido. Repare-se:



Após contacto telefónico para a Linha sida, fui sendo encaminhado para outros números até ser atendido por uma pessoa do Alto Comissariado da Saúde para a Infecção VIH/sida, que me pediu para apresentar a exposição por e-mail. Assim o farei, se bem que as respostas que ouvi me façam acreditar que as minhas observações serão muito rapidamente esquecidas. A não ser que haja mais quem pense como eu e o queira manifestar também. O segundo slogan da campanha conclui com a mensagem "Às vezes o inesperado acontece... Esteja sempre prevenido." Durante um mês, até ao dia dos namorados, iremos sendo lembrados!