2010/02/24

þetta er ísland (ellefu)

Ilha de Elliðaey e casa de Björk (Vestmannaeyjar)

2010/02/23

um filme singular

Vimos ontem o filme que nesta altura não se pode perder: «Um Homem Singular» (no original, «A Single Man»), a primeira realização para o cinema de Tom Ford, que recebeu o Queer Lion na última Mostra Internazionale d'Arte Cinematografica de Veneza.
Muito ao contrário de algumas opiniões que fomos lendo, entendemos que a tradução do título do filme para português se presta ao sentido da história e nem sequer nos parece menos correcta do que a opção «Um Homem Solteiro». Tem o filme uma dimensão gay activista? Se a tem, ela está muito dissimulada, muito longe do esplendor que recentemente nos arrebatou «Milk» e nos inspirou ao longo do ano para as lutas mais recentes. Mas isso não lhe tira mérito, nem valor: «Um Homem Singular» é um belíssimo filme baseado num romance de Christopher Isherwood, escrito em 1964, que se desenvolve lentamente, cheio de detalhes, como num bom e saboroso Lynch. Conta-nos a relação de amor entre dois homens, interrompida por um fatal acidente de automóvel, levando a novos sentimentos, a novas relações do sobrevivo, depois a uma tentativa falhada de suicídio e à descoberta da perfeição nas coisas mais simples, nos momentos mais singelos. Nessa simplicidade lenta e bela em que se narra a história vamos aonde não esperávamos ir, somos surpreendidos quando já não esperávamos ser, pois Tom Ford troca-nos todas as expectativas e deixa-nos entregues a um final improvável e, mesmo assim, tocante.
Vimos ontem. Sem sobressaltos. Sem excessos. Inteiramente entregues à história e a cada um dos detalhes eficazmente escolhido para ocupar o seu lugar e o seu momento. Um filme singular, muito bonito, na nossa opinião!

2010/02/20

a crise de valores

Eles até fizeram um clip para apelar à manif! Só que mais parece um anúncio para apelar ao fim dos divórcios... Os heterossexuais e os homossexuais homofóbicos falam de "crise de valores e de princípios", mas falam certamente da sua própria crise! Há clips para tudo!

(Veja o clip seleccionando a ligação no título.)

valores de família

Continuamos à espera da alteração da lei para também nós próprios alargarmos o conceito de "família verdadeira" nas nossas famílias. O que até acabará por ser bom para valorizar os laços familiares, quando a "família verdadeira" que cada um de nós conhece não corresponde a nenhum modelo de perfeição como os que por aí se vão ouvindo defender. As nossas são famílias normais, inspiradas ainda no modelo tradicional: vivem e sobrevivem com bons exemplos das suas paixões permanentes nuns casos e de desavenças profundas noutros, com larga variedade de exemplos de como se vive um casamento, a paternidade e a maternidade, ou do que sobra depois de tudo isso. Numa reflexão motivada pelos movimentos de hoje e pelas dúvidas (camufladas de certezas e de fobias) dos muitos que certamente vão participar neles, que se justificam estas notas. Na verdade, olhando à nossa volta, aos exemplos dos nossos pais, dos tios, irmãos, primos e sobrinhos fica-nos sobretudo uma grande incerteza do que poderá definir a "família verdadeira" ou o "casamento tradicional".
Mas há uma coisa que é clara e que todos entendemos, mesmo quando não sabemos muito bem como processar essas definições: tanto o casamento como a família tem a ver com o amor, é ele que nos une e nos mantém unidos, enquanto tanto do resto que se ouve e defende por aí só nos separa!...

(A imagem reproduzida é de um quadro do pintor Steve Walker, que tem por título «Some Family's Values». Para mais detalhes, no cabeçalho há ligação a uma notícia sobre a manifestação convocada para hoje e na barra lateral há outra que conduz ao sítio do artista.)

2010/02/19

þetta er ísland (tíu)

Listasafn Reykjavíkur (Reiquejavique)

2010/02/18

mais abril

Vem agora o senhor general Garcia Leandro (ver notícia pela ligação acima) e um grupo de 25 militares de Abril insinuar em conferência de imprensa que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma "aberração". Ora, um 25 de Abril que deixou de fora a igualdade de direitos das minorias sexuais é que poderia (sublinho, poderia) ser considerado uma aberração. E fiz o sublinhado porque é ainda ao 25 de Abril aonde nós vamos hoje beber a inspiração para as mudanças sociais que nos levam mais além. É lá que estão todos os valores que nos têm norteado nas últimas décadas e onde falta ainda cumprir este desígnio.
O senhor general, os restantes militares e os populares que os apoiam não devem fazer ideia do que é viver às escondidas uma relação de amor, fidelidade e partilha, que é a de um casal como nós. Não fazem! Devem imaginar que os homossexuais são todos uns palhaços (muitos são-no, como o são também muitos heterossexuais) e devem supor que os homossexuais são todos infiéis e pedófilos (alguns sim, como o são também muitos e muitos mais heterossexuais). O 25 de Abril tem um significado que cresceu com o passar dos anos, das décadas, das gerações. Eu próprio fui militar e inclusivamente fui-o no quartel que simbolicamente ficou mais ligado à Revolução, ainda que só uns anos depois de 74. Sei o que é ser homossexual e ser militar, numa altura em que eu queria ainda acreditar que a homossexualidade era uma fase da adolescência e que essa fase começava a ficar para trás, com a chegada da idade adulta. Mas enganei-me e enganei alguns que me rodeavam. Descobri depois o amor e o amor que não distingue sexos. Apaixonei-me pelo meu companheiro em 1986 e vivo essa paixão e essa relação exclusiva até hoje. Exactamente como um típico casal heterossexual, excepto naquilo em que não pôde ser igual.
Ao senhor general, aos senhores militares e a todos os que têm ainda dúvidas eu observo: não pensem que é fácil para mim (e para pessoas como eu ou como nós) dar o passo do casamento; casar é uma vontade que vem de um justo e inegável direito à igualdade, ao reconhecimento e ao respeito social; à integração; casar é unir duas famílias, é reforçar os laços, é abrir os braços e esperar um outro par de braços abertos do outro lado; é entrega; é partilha; é passar do anonimato, de uma certa clandestinidade, à identidade, a dizer "eu sou" e "nós somos" e isso ser reconhecido; é dizer "eu amo" e ser amado, respeitar e ser respeitado; é assumir compromissos, usufruir plenamente dos direitos e cumprir todas as obrigações derivadas do casamento; é ter o direito de casar e a opção de o fazer quando quiser; é respeitar as normas sociais e ser respeitado pela sociedade; é ser mais igual, mais Abril!...

2010/02/17

2010/02/16

keith haring: journals

Acaba de ser lançada pela Penguin nos Estados Unidos a nova edição (a primeira e única precedente foi a de 1996) do livro «Keith Haring: Journals», com um prefácio assinado por Shepard Fairey.
Sobre ele disse Madonna: "I've always responded to Keith's art. From the very beginning, there was a lot of innocence and a joy that was coupled with a brutal awareness of the world... The fact is, there's a lot of irony in Keith's work, just as there's a lot of irony in my work. And that's what attracts me to his stuff. I mean, you have these bold colors and those childlike figures and a lot of babies, but if you really look at those works closely, they're really very powerful and really scary. And so often, his art deals with sexuality — and it's a way to point up people's sexual prejudices, their sexual phobias. In that way, Keith's art is also very political."
David Hockney, disse-o antes assim: "These diaries give an account of [Haring's] professional activity, and reveal, like most artists, his strengths and insecurities. Like most artists, I'm often surprised by the insecurities of others or the way they see them... [Haring's] great strength was that his art worked outside galleries and museums. It did not need them, they need it... He left his mark everywhere. A very generous life."
Em resumo, na nossa opinião este "diário" de Keith Haring é um objecto de grande simplicidade estética, mas suficientemente ilustrado e elaborado para nos seduzir enquanto objecto de consumo. E é abordável também. Mas muito mais importante do que isso, de forma simples e completa ele concede-nos a possibilidade de conhecer com maior intimidade o que um simples álbum de imagens, mais ou menos comentadas, não consegue. Revela-nos Keith Haring no período de 1977 a 1989 (ano anterior à sua morte, ocorrida precisamente há 20 anos, a 16 de Fevereiro) e vai mais além revelando o que entre 1990 e 2009 foi acontecendo com o seu legado.

2010/02/12

a lula

Quem tem medo das palavras? Quem tem medo dos actos? Quem tem medo de quem? Afinal "O Polvo" existe ou não? E "A Lula"? Terá ela sido uma mera vítima? Ou será que essa é que é a sua especialidade? Vale a pena continuar com os disparates? E se deixássemos antes Portugal avançar?...