2010/04/08

god save the king

Num dia destinado à nossa festa chega-nos também uma triste notícia: a da partida de Malcolm McLaren (1946-2010), excêntrica personalidade que criou com Vivienne Westwood a famosa loja de moda alternativa SEX, na londrina Kings Road.
A loja viria a mudar o nome para Seditionaries, mas foi lá que germinou a famosa banda punk Sex Pistols, que Malcolm McLaren orientou, além das criações pouco convencionais como a t-shirt que utilizava desenhos do ilustrador gay Tom of Finland (imagem acima). Foi candidato à câmara de Londres, mas a sua actividade constante foi como criador musical, compondo e editando entre 1983 e 2009 um total de 16 álbuns a solo, sempre ajustados à sua apetência pela novidade e pela surpresa.
O músico encontrava-se em Nova Iorque com uma doença grave e prolongada, tendo sido descoberto já sem vida no seu apartamento. Regressa ao Reino Unido para ser sepultado no cemitério de Highgate, em Londres – god save the king!

hoje há festa

2010/04/07

à espera... da luz verde

Pelas contas que tínhamos feito, nós esperávamos para hoje uma decisão do Tribunal Constitucional sobre a alteração do Código Civil, com vista a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas a espera foi quase em vão, já que apenas se encontrou um texto no Diário de Notícias (acima, há uma ligação no título) e uma nota breve no blogue do deputado Miguel Vale de Almeida (ao lado, há uma ligação para Os Tempos Que Correm).
Neste final de dia parece-me que fica no horizonte não a desejada imagem da luz verde mas sim, ainda, a intermitência do semáforo laranja cavaquista. À espera... de mais um dia seguinte e da desejada e inevitável luz verde.

2010/04/06

o sangue da discriminação

No dia 31, Miguel Vale de Almeida contava no seu blogue, Os Tempos Que Correm, que tinham aprovado nesse dia, na Primeira Comissão (da Assembleia da República) "o projecto de resolução do Bloco relativo a medidas que visem impedir a discriminação de homossexuais e bissexuais na doação de sangue." Contava-nos que defendeu "uma questão de princípio: a distinção entre grupos e comportamentos de risco e a necessidade de gestos políticos anti-discriminatórios – sobretudo por parte de uma comissão de assuntos constitucionais, direitos, liberdades e garantias" e que "infelizmente o governo demorou demasiado tempo a resolver este assunto; poderia tê-lo feito, pois tratar-se-ia simplesmente de emitir uma normativa que impedisse certos hospitais e certos técnicos de inventarem e aplicarem questionários que são discriminatórios, aplicam conceitos de grupo mais do que de comportamento de risco, e não assentam em critérios científicos."
No Bloco de Esquerda, José Soeiro assinala a pertinência ainda maior destas medidas porque bem recentemente se verificou uma excepcional carência de sangue disponível nos hospitais: "houve uma ruptura de stocks no Instituto Português do Sangue e, portanto, não faz sentido excluir pessoas capazes de dar sangue com base num preconceito. Isso prejudica o país, prejudica as pessoas que precisam de sangue e alimenta um preconceito injustificado", acrescentou. No seu projecto de resolução, o Bloco testemunha que "continuam a existir diversos serviços públicos de recolha de sangue que incluem nos seus questionários perguntas explicitamente homofóbicas".
Sem dúvida que as chamadas situações de risco encontram-se hoje disseminadas por toda a sociedade. Já não é possível sustentar que estão associadas a qualquer tipo de orientação sexual. Acreditar que todos os homossexuais têm sexo não seguro ou que todos os heterossexuais são um exemplo absoluto de comportamento sexual saudável é a mais pura das ilusões.
A imagem escolhida é da autoria do ilustrador Mario Wagner.

2010/03/31

sem sexta-feira

Hoje, numa visita ao meu banco habitual, onde pedi informações sobre a sua oferta de PPRs (taxas de juro, benefícios fiscais, mobilização, dupla titularidade, beneficiários em caso de morte) fui atendido pela directora do balcão que, a esse propósito, me perguntou se eu era casado. Respondi que não, mas que em breve o seria e que queria estudar as ofertas nessa perspectiva. Daí para a frente o quase-monólogo foi do género "a sua esposa isto", "a sua namorada aquilo". Apeteceu-me muito interromper e lembrar à senhora que Portugal está em suspense à espera da aprovação final de uma lei que circula ainda pelo Tribunal Constitucional. E que seria bom considerar tal facto.
Mas como eu tinha alguma pressa e sempre fui muito bem recebido e atendido naquela dependência do banco (onde tenho a conta aberta, com o meu companheiro como segundo titular), entendi que o melhor era deixar passar o equívoco, apenas por agora. Até meio da próxima semana, pelas minhas contas, o Tribunal Constitucional decidirá sobre a lei que o Presidente mandou para fiscalização. Estou convencido que, depois, o discurso terá mesmo de mudar. A não ser que me queiram colocar um dia sozinho, numa ilha, a gozar da minha reforma sem o meu querido Sexta-Feira...

2010/03/29

a brincar, a brincar...

Pois não, não se deve brincar com coisas sérias. Por exemplo: com o meu direito de ser feliz ao lado de quem amo... Porque quando se brinca com isso, então também ninguém me tira o direito de brincar com o que me apetecer. Já agora: afinal, a Terra sempre é redonda e tem imeeensoos telhados de vidro...

2010/03/26

coisas do porto

A revista TimeOut vai ter uma edição dedicada ao Porto, já a partir de Abril. Será feita por gente da cidade, que conhece a cidade e que nela vive ou, nas palavras de João Cepeda, director da TimeOut Lisboa, será "feita por pessoas do Porto e para as pessoas do Porto, e não uma revista para turistas". Ao contrário da norma aplicada à edição da capital, a versão portuense não terá periodicidade semanal, mas sim mensal. A revista apresenta-se ainda como "a primeira agenda de cultura e lazer do Grande Porto" (percurso já trilhado, no entanto, pela Metro, de boa memória). O editor executivo da edição portuense, Jorge Manuel Lopes, acrescenta ainda que a revista TimeOut Porto irá ser "um guia completo de tudo o que acontece (...) em termos de arte, acontecimentos culturais, a própria vida da cidade, novas tendências, lojas e lugares de atracção". O blogue Fugas, do jornal Público, diz-nos ainda que hoje haverá festa de lançamento, no Palacete dos Pinto Leite. Que é o local onde esteve instalado o Conservatório de Música do Porto, de 1975 e 2008.

2010/03/18

fruto da paixão

Andava à procura de imagens da nova edição (Assírio & Alvim) de «O Livro Branco», de Jean Cocteau (1889-1963), e acabei a descobrir uma aliança desenhada pelo artista francês para a oficina do seu amigo Louis-François Cartier, o célebre relojoeiro e joalheiro cujo nome ainda faz furor (e muito) nos nossos dias. A aliança de elos triplos Trinity foi lançada em 1924, após Cocteau a ter desenhado para evocar a sua paixão por Raymond Radiguet (1903-1923). Cada um dos elos era feito num metal diferente, representando a amizade (a ouro branco), a fidelidade (a ouro amarelo) e o amor (a ouro rosa). Ora, apesar de nós dois já usarmos um belo anel-aliança de prata desenhado por Goti, nos tempos que correm devemos ponderar se um verdadeiro casamento não mereceria ser assinalado com novas e verdadeiras alianças. De uma forma ou de outra (por comentários aqui ou entradas nos vossos blogues) venham daí muitas sugestões!