2010/04/21

hora de mudança?

Este blogue está a sofrer desde ontem constrangimentos inesperados e em parte inultrapassáveis, como neste momento se pode verificar pela quase total ausência de imagens nas entradas já publicadas. Para a eventualidade de não conseguirmos resolver satisfatoriamente estes problemas, estamos a tentar recomeçar e manter-nos activos em gayfield.wordpress.com. As coisas levam tempo, mas esperamos ter o essencial a funcionar a tempo das grandes notícias que esperamos nos próximos dias...
Queremos cá estar, ao vosso lado, para assinalar a nossa posição!

2010/04/15

a islândia tingida de cinza

O grande tema do dia é o cancelamento de voos no espaço aéreo de vários países europeus, devido às nuvens de cinza provenientes do vulcão do glaciar Eyjafjallajokull, que recentemente entrou em erupção no sul da Islândia (o país do nosso próximo destino de férias e, talvez, o da lua de mel). Como sempre, boas imagens e acontecimentos vistosos fazem grandes manchetes, mas talvez não haja assim tanto a noticiar se tivermos em conta que o vulcão regressa periodicamente à vida, com mais ou menos força, mas geralmente de forma prevista. Tanto que num guia de 2007 (o da Lonely Planet) já lá constava uma previsão para esta erupção de 2010 que, segundo dizia o jornal em língua inglesa The Reykjavík Grapevine "Nothing may change, and the eruption could continue for months. It could equally well stop tomorrow." Se a erupção durar por alguns meses, talvez faça parte das nossas recordações de viagem. O mais importante é que a montanha não nos impeça de levantar voo, de voar e de aterrar em segurança. Quatro vezes, (duas para cada lado), já que teremos uma escala técnica num dos aeroportos de Londres. Vamos dar tempo ao tempo, porque ainda temos muito tempo para isso!

(Nota: A ligação é feita para a página inicial do jornal onde surge um grande destaque à apresentação de «Go», o primeiro disco a solo de Jónsi, dos Sigur Rós, que teve lugar no Leather Bar. Para aceder à reportagem «Eruption News Roundup» deverá seguir-se a ligação por debaixo da imagem legendada «Eruption Report». Na reportagem mais recente (de onde foi retirada a imagem usada, que nos faz lembrar os cinzas e os vermelhos das telas de Mark Rothko) há uma animação que mostra a expansão da nuvem de cinzas que, segundo as previsões, não deverá atingir Portugal.)

2010/04/13

vítimas do novo obscurantismo

Confesso que me senti incomodado quando, hoje de manhã, pude finalmente dedicar-me à leitura da crónica de Inês Pedrosa na Revista Única (Expresso de 10/04/2010), cujo título era «Só há pedófilos entre os padres?». Muito embora a figura da autora mereça o meu respeito e admiração, não deixei de me sentir revoltado ao constatar que, na sua óptica, a Igreja não teria "de pedir desculpa por crimes que nada têm que ver com a instituição enquanto tal" referindo-se, claro, à pedofilia de alguns dos seus clérigos. Defendeu na crónica do sábado passado que "se é verdade que a Igreja Católica tem um modo hierárquico e ostentatório de ser e de viver (...), não é menos verdade que é ela quem hoje está, muitas vezes só, junto dos desvalidos". Na perspectiva da autora, se "assumisse a culpa pelos crimes de pedofilia de um conjunto dos seus elementos, a Igreja estaria a sujar a imagem desses seus outros milhares de padres que se entregam a tornar felizes os que nada têm". Hoje ainda, um par de horas depois, já bem longe de casa, sei pela leitura online dos destaques da imprensa que há um novo escândalo na Igreja, agora devido à afirmação do número dois do Vaticano que de visita ao Chile disse claramente que "há ligação entre homossexualidade e pedofilia" (o detalhe está disponível por ligação ao Jornal de Notícias, no título desta entrada).
É impressionante quanto disparate se lê e se ouve. E a forma como se desculpa o indesculpável e se mistura o que não deveria nunca ser misturado. Acho inaceitável que alguém na "santa" Igreja desculpe seja quem for por ter praticado um, dois, dez, uma centena ou mais de um milhar de crimes, aqui e ali, e por todo o lado, quando as vítimas são as crianças inocentes e indefesas. Um crime é um crime e nada, nem ninguém, pode desculpar ou sonegar aos justos o seu direito de justiça. Parece-me muito claro que a Igreja promove continuamente a homofobia contra aqueles que querem simplesmente viver o seu amor e tolera a pedofilia (homossexual e heterossexual) quando os actos têm lugar longe dos olhos do mundo. As palavras enganadoras do cardeal Tarcisio Bertone – "demonstraram muitos sociólogos, muitos psiquiatras, que não há uma relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram, e disseram-mo recentemente, que há uma relação entre homossexualidade e pedofilia" – não são a verdade, mas o problema. São a expressão de uma doutrina que mantém viva a chama do ódio e que tenta fazer de nós as verdadeiras vítimas deste novo obscurantismo!

2010/04/08

god save the king

Num dia destinado à nossa festa chega-nos também uma triste notícia: a da partida de Malcolm McLaren (1946-2010), excêntrica personalidade que criou com Vivienne Westwood a famosa loja de moda alternativa SEX, na londrina Kings Road.
A loja viria a mudar o nome para Seditionaries, mas foi lá que germinou a famosa banda punk Sex Pistols, que Malcolm McLaren orientou, além das criações pouco convencionais como a t-shirt que utilizava desenhos do ilustrador gay Tom of Finland (imagem acima). Foi candidato à câmara de Londres, mas a sua actividade constante foi como criador musical, compondo e editando entre 1983 e 2009 um total de 16 álbuns a solo, sempre ajustados à sua apetência pela novidade e pela surpresa.
O músico encontrava-se em Nova Iorque com uma doença grave e prolongada, tendo sido descoberto já sem vida no seu apartamento. Regressa ao Reino Unido para ser sepultado no cemitério de Highgate, em Londres – god save the king!

hoje há festa

2010/04/07

à espera... da luz verde

Pelas contas que tínhamos feito, nós esperávamos para hoje uma decisão do Tribunal Constitucional sobre a alteração do Código Civil, com vista a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas a espera foi quase em vão, já que apenas se encontrou um texto no Diário de Notícias (acima, há uma ligação no título) e uma nota breve no blogue do deputado Miguel Vale de Almeida (ao lado, há uma ligação para Os Tempos Que Correm).
Neste final de dia parece-me que fica no horizonte não a desejada imagem da luz verde mas sim, ainda, a intermitência do semáforo laranja cavaquista. À espera... de mais um dia seguinte e da desejada e inevitável luz verde.

2010/04/06

o sangue da discriminação

No dia 31, Miguel Vale de Almeida contava no seu blogue, Os Tempos Que Correm, que tinham aprovado nesse dia, na Primeira Comissão (da Assembleia da República) "o projecto de resolução do Bloco relativo a medidas que visem impedir a discriminação de homossexuais e bissexuais na doação de sangue." Contava-nos que defendeu "uma questão de princípio: a distinção entre grupos e comportamentos de risco e a necessidade de gestos políticos anti-discriminatórios – sobretudo por parte de uma comissão de assuntos constitucionais, direitos, liberdades e garantias" e que "infelizmente o governo demorou demasiado tempo a resolver este assunto; poderia tê-lo feito, pois tratar-se-ia simplesmente de emitir uma normativa que impedisse certos hospitais e certos técnicos de inventarem e aplicarem questionários que são discriminatórios, aplicam conceitos de grupo mais do que de comportamento de risco, e não assentam em critérios científicos."
No Bloco de Esquerda, José Soeiro assinala a pertinência ainda maior destas medidas porque bem recentemente se verificou uma excepcional carência de sangue disponível nos hospitais: "houve uma ruptura de stocks no Instituto Português do Sangue e, portanto, não faz sentido excluir pessoas capazes de dar sangue com base num preconceito. Isso prejudica o país, prejudica as pessoas que precisam de sangue e alimenta um preconceito injustificado", acrescentou. No seu projecto de resolução, o Bloco testemunha que "continuam a existir diversos serviços públicos de recolha de sangue que incluem nos seus questionários perguntas explicitamente homofóbicas".
Sem dúvida que as chamadas situações de risco encontram-se hoje disseminadas por toda a sociedade. Já não é possível sustentar que estão associadas a qualquer tipo de orientação sexual. Acreditar que todos os homossexuais têm sexo não seguro ou que todos os heterossexuais são um exemplo absoluto de comportamento sexual saudável é a mais pura das ilusões.
A imagem escolhida é da autoria do ilustrador Mario Wagner.