2010/09/17

à tua, rapaz

Vai lá; vai ver o que eu estou a ver na RTP2, agora! Mas é agora, vá, vai lá...

wish we were there

Ao longo de mais de uma semana (a partir de hoje e até ao próximo dia 25) decorre na capital o seu festival de cinema gay e lésbico, o 14º Queer Lisboa, que apresentará 118 filmes, das mais diversas nacionalidades. O Júri Internacional do festival é composto, na Secção Competitiva para a Melhor Longa-Metragem, pela actriz Rita Blanco (Lisboa), o escritor José Luís Peixoto (Lisboa), a programadora Michèle Philibert (Marselha), o realizador Gorka Cornejo (San Sebastián) e pelo crítico de cinema Thomas Abeltshauser (Berlim). Já o Júri Internacional da Secção Competitiva para o Melhor Documentário é composto pela realizadora Veronika Minder (Berna), o crítico e programador de cinema Rui Pedro Tendinha (Lisboa) e pela jornalista Adília Godinho (Lisboa). No sítio do festival há informação diversa e detalhada, incluindo o programa das exibições e de outros momentos. Quem nos dera estar lá...

2010/09/15

francisco

Morreu Francisco Ribeiro, co-fundador dos Madredeus, que nos concedeu o previlégio de partilhar um seu projecto, há um par de anos. Como nós não podíamos acompanhar o seu sonho – que por graça acabou por se tornar realidade – ficámos arredados a segui-lo. Estivemos com ele num concerto do José Perdigão, no Porto, onde o Francisco encantava com o seu violoncelo e para o qual nos convidou. Quando se anunciava o seu regresso à cidade, neste verão, estivemos fora, pois já a nossa viagem estava planeada. Depois soubemos por um amigo que ele não actuou, porque estava doente. Quando se esperava que nada fosse de grave, chegou hoje a notícia da sua partida deste mundo, no dia de ontem. Para ele ficam as suas próprias palavras, inscritas no seu próprio disco, no ano de tantas memórias: "Vai placidamente no meio do barulho e da confusão, lembrando-te de quanta paz existe no silêncio". O seu corpo está em velório na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa. O funeral realiza-se amanhã, no Cemitério dos Olivais.

2010/09/13

tap discount

A companhia aérea com a imagem mais bonita do universo (a TAP Portugal) decidiu lançar uma campanha tap|discount com o slogan "menos euros, mais Europa", para conquistar alguns dos passageiros já perdidos para as companhias low cost. Cada voo custa 49€, 59€, 79€, 99€ ou 179€ por pessoa e trajecto, tudo incluído, consoante o destino: Lisboa, Porto, Madrid e Barcelona; Frankfurt, Munique, Toulouse, Lyon, Milão, Roma, Londres, Genebra, Paris e Bruxelas; Bolonha, Veneza, Hamburgo, Marselha, Nice, Zagreb, Málaga, Corunha, Bilbau, Sevilha, Valência, Amesterdão, Luxemburgo e Zurique; Copenhaga, Estocolmo, Oslo, Praga, Budapeste, Varsóvia e Helsínquia; ou Moscovo, respectivamente. Nem todos os voos estão disponíveis a partir do Porto e só podem ser realizados entre 10 de Outubro e 31 de Maio, com mais umas condições especiais à mistura (a consultar no sítio da companhia). Conclusão: em breve poderemos ter o gosto de voltar a voar num avião com as cores da TAP Portugal mas, a partir de 1 de Junho, ou ficamos todos em casa ou voltamos de novo a voar nos aviões da concorrência. E depois?...

2010/09/11

a escolha das alianças

Decidimos e encomendámos: as alianças vão ser em ouro branco (considerámos como segunda escolha o ouro rosa), este será de 18 quilates (poderia ser algo mais, noutras marcas, ou algo menos, para sair mais em conta), a superfície será polida (o acabamento escovado também foi considerado, mas o polido oferece maior resistência ao desgaste e era muito bonito também), preferimos o formato elíptico (ligeiramente curvo no exterior, em alternativa ao completamente achatado), sem diamantes (pois, os vendedores perguntam sempre, já se sabe) e com a gravação do nome manuscrito por cada um de nós na face interior da jóia (achámos que os nomes sim e dessa forma, mas que não todas as outras opções como a data do casamento ou impressões digitais ou micro-textos impressos). Todas estas combinações foram possíveis na oferta da marca alemã Meister (que soube afirmar-se pela qualidade das suas peças e pela atenção de quem as comercializa entre nós), embora uma decisão destas deva passar por estudar alternativas que, na nossa avaliação, se encontravam na oferta da marca portuguesa eternis (uma opção séria, sem dúvida).
No título, acima, está a ligação ao sítio na internet da Meister (que acabo de descobrir que significa "magistral" ou, na forma meisterschmuck, "mestre joalheiro"), mas já a imagem que escolhemos é apenas a de uma representação aproximada das peças ontem encomendadas para o nosso casamento. Para quem também queira preparar o seu, justifica-se uma última nota: por muito que coincidam as opiniões dos noivos, cada um tem geralmente as suas preferências exclusivas e muitas dúvidas à mistura. Por isso, o melhor é preparar a encomenda com tempo. Convém que a escolha esteja de acordo com o perfil de ambos e de cada um de vós, não só hoje mas também ao longo das vossas vidas. Nós, após demorada ponderação, acreditamos que encontrámos o que procurávamos. Agora teremos de esperar um par de semanas. Com alguma impaciência, claro!...

2010/09/10

flores para os açores

O Fugas, do Público, diz que sim, que o Governo da República já aprovou a proposta do Governo Regional dos Açores para baixar o preço das tarifas aéreas entre o continente e o arquipélago, para não mais do que 100€ por viagem. Já antes, a Câmara do Comércio e Indústria tinha sugerido algo semelhante, desde que se cumprisse a obrigatoriedade do visitante permanecer em hotéis açorianos por um mínimo de cinco noites. A actual proposta segue na próxima semana para a Comissão Europeia, onde se espera que venha a ser aprovada, de acordo com a regulamentação da União. A imagem, mais acima, da bela Ilha das Flores, pode ser encontrada com informação complementar (em inglês) seguindo a ligação a partir do título que diz, justamente (em português), "flores para os Açores". E para quem lá está! ;-)

2010/09/08

dos amores e da poesia de genet

«Le Condamné À Mort» é um longo poema que foi escrito em 1942 por Jean Genet (1910-1986) quando se encontrava encarcerado em Fresnes e que é tido como a sua primeira obra literária (ver a ligação no título).
O poema conta a história de Maurice Pilorge, um jovem assassino de apenas 25 anos de idade, encarcerado e decapitado em Rennes, um ano antes, tendo exercido intenso fascínio sobre o escritor. No ano dos 100 anos do seu nascimento (19/12/1910), «Le Condamné À Mort» foi adornado de notas musicais escolhidas e organizadas por Hélène Martin, e arranjado pelo cantor Etienne Daho, que o lançará em disco neste outono, na sua (própria) nova editora, a Radical Pop Music. Sabemos que o poema será lido por Jeanne Moreau, actriz que já admiramos há imenso tempo, pelo menos desde «Querelle» (realizado por Rainer Werner Fassbinder, em 1982, conforme a imagem, a partir da novela «Querelle de Brest», de 1947, também de Genet), e será cantado por Etienne Daho.
Diz-se que o disco será lançado a 26 de Outubro, e que em finais de Novembro será também apresentado ao vivo em diversos teatros, com destaque para Paris (23 e 24) e Brest (27), a terra do porto do famoso marinheiro, Georges Querelle.

2010/08/31

memórias da felicidade

Aproxima-se a data anunciada para a leitura das sentenças sobre o caso Casa Pia. Tantos anos, voltas e reviravoltas depois vamos ficar inevitavelmente com a sensação de que a Justiça – se a tiver havido – não terá sido suficiente. Um caso destes, tão longo e complexo, exige soluções que não se esgotem no simbolismo de penas pouco pesadas ou – o que seria ainda pior – na possibilidade de uns quantos, que poderão ter culpas não suficientemente provadas, virem pedir ao Estado compensações materiais dos seus prejuízos. Por essa lógica, então, que o Estado compense também as crianças lesadas no seio das instituições, que outra função não tinham senão a de as proteger e de as fazer crescer num ambiente saudável, normal e aberto – longe porém das garras de gente imunda e sem escrúpulos, que usa e abusa da ingenuidade natural dos mais novos. O poeta britânico William Henry Davies (1871-1940), retratou-a lindamente em «The Happy Child», assim:

I saw this day sweet flowers grow thick –
But not one like the child did pick.

I heard the packhounds in green park –
But no dog like the child heard bark.

I heard this day bird after bird –
But not one like the child has heard.

A hundred butterflies saw I –
But not one like the child saw fly.

I saw the horses roll in grass –
But no horse like the child saw pass.

My world this day has lovely been –
But not like what the child has seen.

Os meninos felizes parecem-se com anjos; são atentos e sensíveis à mais pequena coisa e ao mais ignorado detalhe; vêem e ouvem e sentem e esvoaçam fantasiosamente pelo mundo, livres como querubins, sem destinos, nem fadigas; tudo se lhes afigura belo, tudo os encanta, nesse seu mundo puro e intocável – mas onde param hoje essas crianças felizes e que memória mágica lhes resta desses tempos de felicidade?...