Murmúrio de água na clepsidra gotejante,Lentas gotas de som no relógio da tôrre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...
Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas-ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos sòmente a Beleza, que a vida
é um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...
[Poema «Epígrafe», de Eugénio de Castro, na página 23 da «Antologia de Poemas Portugueses Modernos», por Fernando Pessoa e António Botto, da Editorial Nobel, Coimbra, 1944. Imagem a partir da escultura «L'Âge d'Airain» (A Idade do Bronze), de Auguste Rodin, 1875, exposta no Musée d'Orsay, Paris.]







