2010/12/31

adeus, 2010

2010 está a chegar ao fim e chega o momento de lhe dizer "adeus". Por isso, aqui se faz como habitualmente a lista do que nos pareceu melhor ao longo do ano, muitas vezes considerando como objectos da nossa admiração o que já existia desde anos anteriores mas que só neste tivemos a oportunidade de conhecer de perto e de apreciar.

Como figura do ano escolhemos (apesar de prevermos a polémica) o Primeiro-Ministro de Portugal, José Sócrates, simplesmente porque ele foi coerente com as suas promessas eleitorais e viabilizou finalmente no nosso país o casamento entre pessoas do mesmo sexo, do qual nós próprios já beneficiámos. Numa espécie de ex aequo parece-nos que Miguel Vale de Almeida também merece a distinção como deputado, assim como o "contrariado" Presidente Cavaco Silva, por ter promulgado a "nossa" lei nº 9/2010. E no nosso íntimo estão também, entre as figuras do ano, os amigos que evidenciaram a sua presença ao nosso lado e pela primeira vez, para cada um de nós, o respectivo marido :)

Das nossas poucas idas ao cinema (cada vez mais um espaço para filmes comerciais e pipocas), a nossa escolha foi para «Um Homem Singular», realizado por Tom Ford. Foi um filme inesperado, mas que nos surpreendeu e que marcou o ano cinematográfico com uma história onde a beleza não segue os clichés habituais e, mesmo assim, transborda de encanto e de emoção!

A nossa passagem pelas salas de concertos foi mais preenchida com audições de música clássica do que de outros géneros, mas foi a presença de Rufus Wainwright (na imagem), no Coliseu do Porto, que mais marcou as nossas noites de música ao vivo. Foi um concerto com duas partes claramente distintas, ambas a solo e ao piano, com a primeira profundamente introspectiva (marcada pela recente perda da sua mãe, a cantora Kate McGarrigle) e a segunda mais colorida e comunicativa, mais perto do seu habitual padrão.

Jónsi marcou o ano com um disco especial, «Go», o primeiro a solo do vocalista dos Sigur Rós, que foi a primeira escolha do Gonçalo. Já o Luís preferiu destacar o álbum que veio comemorar o centenário do nascimento do escritor Jean Genet (a 19 de Dezembro), que levou por título «Le Condamné À Mort» (a obra de 1942 que serviu de base ao disco), cantado pela voz sempre deslumbrante de Jeanne Moreau e pela de Étienne Daho.

Em DVD, o Luís escolheu o filme de Friðrik Þór Friðriksson «Börn Náttúrunnar» (islandês para "Filhos da Natureza"), realizado em 1991, que nos acompanhou na viagem de regresso da nossa aventura de verão. O registo videográfico do espectáculo «Sticky & Sweet», de Madonna, foi a preferência do Gonçalo.

Muitas das horas passadas na internet foram ocupadas com o sítio lançado para chamar turistas à Islândia, no momento em que toda a gente se sentia insegura com os humores do Eyjafjallajökull, e inspiredbyiceland.com conseguiu mostrar-nos um país ainda mais diverso, interessante e seguro do que o que já antes imagináramos. Num outro espaço da rede encontrámos nmcrec.co.uk/musicmap, onde a editora britânica NMC Recordings disponibilizou um mapa musical interactivo que nos permite descobrir e explorar fascinantes relações criativas entre algumas centenas de compositores contemporâneos.

«Gente Independente», do Nobel da Literatura de 1955, Halldór Laxness, foi o livro que mais agradou ao Gonçalo, muito embora a sua escrita date já de 1934/35. O Luís preferiu «O Acompanhante», de Jonathan Ames (escritor a seguir de perto que até mereceu muito recentemente a série de televisão «Bored To Death», produzida pela famosa HBO). Por outro lado, o mais lido em nossa casa foi «O Casamento Sempre Foi Gay E Nunca Triste», a penúltima (e muito recomendável) obra do escritor português José António Almeida.

Escolhemos três lojas, como estabelecimentos do ano: no Porto, de novo a loja Por Vocação, particularmente pelo sempre surpreendente design das suas montras; em Lisboa, pese ainda o facto de não a termos visitado, a primeira Muji portuguesa, que certamente vai mudar alguns comportamentos comerciais por aí; mais longe, em Reiquejavique, a mais especial de todas, a Dead, espaço do artista local Jón Sæmundur, que se dedica à criação de T-shirts pintadas à mão, e que o realizador Quentin Tarantino deu a conhecer nas roupas usadas em «Death Proof» (em Portugal «À Prova de Morte»), em 2007.

Dos muitos momentos bons de 2010 destacamos somente um: o dia do nosso casamento.

Com o ano no fim, fazemos votos para que em 2011 o casamento civil se consolide no respeito entre todos quantos constituem uma sociedade, abrindo espaço para a dignificação das relações legalmente reconhecidas e para a possibilidade de abrir mais uns quantos armários, a começar pelo simples direito à indiferença no exercício público dos afectos. Para todos vós, e para nós próprios, desejamos que se concretize rapidamente mais esse passo na consecução de um mundo melhor.

2010/12/23

colorido de natal

Para todos os nossos amigos e amigas, os votos de um colorido Natal.

2010/12/20

álbum privado

Quando se aproxima a altura de recensearmos as melhores e mais marcantes edições, figuras e acontecimentos do ano (que não tardarão), ainda é tempo para fazer uma antecipação de uma das promessas maiores que nos fazem ficar impacientes pela chegada do próximo ano: trata-se de «Luca & Luigi Private Album», um álbum de fotos privadas dos esbeltos e sempre provocantes artistas-modelos Luigi e Luca, retratados como na amostra se vê. A edição deverá acontecer em Fevereiro próximo, em Nova Iorque, mas as encomendas podem ser já apresentadas ao distribuidor europeu. «Luca & Luigi Private Album» será um livro com 90 imagens de página inteira, contendo um ensaio de Eugenio Viola e textos do duo, escritos à sua maneira, com detalhes de enorme encanto ou outros de aparente desencanto, como o que de exemplo se segue:

I always thought i loved you cause you are
my mirror, cause we are the same but in a
spectacular way.
I thought i was watching you but i was just
staring at myself. Not that i knew..
And you do the same, until a break comes
through and for a second we understand we are
looking in the wrong direction.

As 120 páginas do livro terão 15x21 cm. Mas também haverá uma edição especial de luxo que vai incluir uma impressão gráfica de 20x27 cm numerada e assinada pelos artistas, embalada numa caixa à medida. Seguindo a ligação do título pode conhecer-se desde já outros detalhes e efectuar a encomenda de qualquer das versões. A edição normal irá custar 28 Euros, enquanto a numerada (com a impressão assinada) ficará por 198 Euros, fora os encargos de expedição. Serão ambas, sem dúvida, peças de colecção.

2010/12/13

thank you for your love

Hoje vou deitar-me tarde, o que já é costume. Mas talvez me deite ainda um pouco mais tarde. Quando me deitar vou pegar no livro «O Acompanhante», de Jonathan Ames, e avançar até à página 342 para recomeçar a leitura a partir de «Todas as queens estão mortas». Talvez só leia 3 páginas e meia antes de apagar a luz da cabeceira, deixando as páginas finais para o dia seguinte e mais alguns. Talvez... Talvez acorde de manhã, pelas 8 horas, para me levantar para o trabalho. Assim que toca o telemóvel-despertador, eu levanto-me. Enquanto saio da cama dou um beijo silencioso ao meu marido, que se levantará mais tarde. Saio e fecho a porta do quarto. Dirijo-me ao escritório e ligo o mesmo computador aonde estou agora, ainda, a escrever esta entrada. De manhã, enquanto o computador acorda, eu vou de divisão em divisão abrir silenciosamente as persianas da casa. Tomo o pequeno-almoço, arranjo-me e saio para o trabalho. À hora de almoço voltaremos a encontrar-nos. Depois separar-nos-emos, cada qual com a sua ocupação profissional, o seu destino. Ao fim da tarde, eu volto e janto só. Só nos encontraremos de novo já depois da meia-noite. O dia terá sido mais longo do que devia, cada momento de encontro mais raro do que o costume. Na prática, o princípio do dia seguinte será o justo prolongamento ao nosso dia que teve menos horas só nossas, do que as que merecíamos. Quando voltarmos para a cama já faltarão poucas horas para o despertador voltar a assinalar que são 8 da manhã. Não, nem todos os dias se passam assim. Parabéns, meu amor! «Thank You For Your Love»...

2010/11/25

electricidade sem extras

"A proposta de aumento médio de 3,8% na factura da energia eléctrica, resulta de custos impostos ao sector que ganham uma dimensão insustentável. Exigimos cortes em várias áreas.
Em 2011, o custo da electricidade vai pesar mais no orçamento dos consumidores. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos propôs, em Outubro, uma média de 3,8% de aumento na tarifa da electricidade.
Opções políticas e medidas legislativas condicionam a fixação das tarifas e levam a que a parcela dos “Custos de Interesse Geral” continue com um crescimento imparável. Em 2011, prevê-se um total de 2,5 mil milhões de euros de custos, um aumento superior a 30%, face a 2010. Por exemplo, na factura, por cada € 100 pagos, € 42 referem-se a “Custos de Interesse Geral”, que podem e devem ser reduzidos. Alguns não têm relação directa com a produção e distribuição de energia eléctrica.
É indispensável e urgente repensar a política de taxas e sobrecustos que recai nas nossas facturas. Para 2011, a diminuição de 10% nestes custos levaria a uma redução de 5% na factura.
Há muito que a DECO alerta para a situação no sector e exige uma redução dos custos de interesse geral, para que o preço a pagar pelos consumidores seja mais justo."

Pela ligação disponível no título pode ler-se este texto na íntegra e aderir à petição, disponível no sítio da DECO. A Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores é uma entidade sem fins lucrativos com estatuto de utilidade publica e declara-se comprometida na entrega desta petição junto da Assembleia da Republica. Num país em que há ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres, onde os lucros da electricidade são incontáveis para o cidadão comum (que, nalguns casos, morre de frio porque não tem dinheiro que chegue para pagar o mínimo aquecimento), e onde uns quantos ganham vencimentos milionários à custa de todos nós, é importante reagir. É importante que a DECO tenha esta iniciativa e que nós a apoiemos, pelo menos subscrevendo-a. É importante também que os portugueses deixem de se deixar roubar. Também nisto, estamos fartos!!!

2010/11/24

wesley harvey ceramics

Daqui a um mês é a noite de Natal e está na altura de começar a preparar o momento em que nos juntamos a quem nos é mais próximo e querido, ainda que possa ser só um companheiro ou uns quantos amigos. O Natal não é só tradição e surge o desafio e a oportunidade de transformar essa quadra desapreciada por alguns num momento de grande convívio e de partilha. Vamos então supor que se fará como dita a tradição (que já não é o que era) e que vamos celebrar a data com um jantar ou almoço digno dos deuses. Aqui surge a questão: que tipo de serviço de mesa preferem? Um tradicional de peixe (que combina bem com o bacalhau) ou antes este (sem dúvida orientado para quem aprecia antes uma boa carne)?... Depois de observar com uma minuciosa atenção os detalhes decorativos da louça de Wesley Harvey, de San Antonio (Texas, EUA), fica a certeza de que ele, ao citar Tom of Finland no desenho desta colecção, demonstrou inequívoco bom gosto no que respeita à arte. Mesmo que o resultado final pareça bem mais estranho do que seria aceitável por quase todos nós.

2010/11/22

saudade

"This photo was taken on January 15, 2010 in a mysterious place with no name", pode ler-se na descrição de Andreas Wonisch, o autor. O seu título é «Looking for the Light» e o fotógrafo descreve o que vemos como "path leading into the foggy winter forest, which is beautifully lighted by the morning sun." É tão perturbante a beleza desta Luz quanto a que vem não se sabe de onde e que nos leva os entes que amamos, deixando-nos quase sós, na escuridão dos dias. Sem que o tempo apague nunca a saudade...

2010/11/16

muji

Abre amanhã, em Lisboa, a primeira loja portuguesa da multinacional MUJI, fundada em 1980 no Japão. Ficará no Chiado e a esta hora já deve ter tudo mais que pronto para a grande inauguração. "Este espaço será a porta de entrada em Portugal de uma ampla gama de produtos conhecidos em todo mundo pelo seu estilo funcional a um preço justo", afirmaram em comunicado citado pela Meios & Publicidade. A loja de Lisboa será apenas outra das mais de 400 que têm espalhadas por todo o mundo, mas será de todas a mais "nossa" e a ela vão confluir muitos dos apaixonados quase secretos da marca, seja pelos seus preços acessíveis, seja pela simplicidade ou pela qualidade dos produtos. Para o Natal que se aproxima os jogos de figuras em madeira pintada, como o que se vê na imagem, farão possivelmente o gosto e a preferência de muitos. O sítio na internet da MUJI portuguesa parece também já estar em andamento (ainda que lento como o do trenó da imagem). Para quem esteja longe é ainda nas lojas estrangeiras que se delicia a vista, visitando-as online, onde encontrámos o catálogo especial «MUJI Xmas 2010» (em versão espanhola), para de longe nos deixar imaginar o contacto que alguns poderão efectuar, já a partir de 17 de Novembro, em Lisboa. 歓迎!

2010/11/14

think city

Andámos à procura de um carro novo. E já o encontrámos, ainda que só nos seja entregue lá mais para o final do mês, de acordo com as previsões. Foi uma escolha ponderada, que teve em conta o preço, o design, o desempenho mecânico, a qualidade, o conforto e a versatilidade cidade-estrada, acima de outros valores. Durante algumas semanas fomos recolhendo dados, analisando ensaios, fazendo comparações, visitando stands e conduzindo uma ou outra viatura de testes, até tomar a decisão. Está tomada e é irreversível, mas houve uma possibilidade completamente diferente da nossa opção que nos fez reconhecer mais uma vez o valor da criatividade e a vantagem de quem anda pelo menos um passo à frente do resto do mundo: nem mais, nem menos, do que o norueguês Think City, um automóvel eléctrico de reduzida dimensão que já chegou às 2500 unidades produzidas na fábrica de Oslo e que até ao final do ano vai passar a ser comercializado também nos Estados Unidos da América, a partir de uma fábrica em Elkhart (Indiana). Esta coisinha engraçada tem força suficiente para alcançar os 110 km por hora e uma autonomia máxima de 160 km. Depois é só ligar à tomada pelo menos um par de horas, para poder seguir viagem...