
2010 está a chegar ao fim e chega o momento de lhe dizer "adeus". Por isso, aqui se faz como habitualmente a lista do que nos pareceu melhor ao longo do ano, muitas vezes considerando como objectos da nossa admiração o que já existia desde anos anteriores mas que só neste tivemos a oportunidade de conhecer de perto e de apreciar.
Como figura do ano escolhemos (apesar de prevermos a polémica) o Primeiro-Ministro de Portugal,
José Sócrates, simplesmente porque ele foi coerente com as suas promessas eleitorais e viabilizou finalmente no nosso país o casamento entre pessoas do mesmo sexo, do qual nós próprios já beneficiámos. Numa espécie de
ex aequo parece-nos que
Miguel Vale de Almeida também merece a distinção como deputado, assim como o "contrariado" Presidente
Cavaco Silva, por ter promulgado a "nossa" lei nº 9/2010. E no nosso íntimo estão também, entre as figuras do ano, os amigos que evidenciaram a sua presença ao nosso lado e pela primeira vez, para cada um de nós, o respectivo marido :)
Das nossas poucas idas ao cinema (cada vez mais um espaço para filmes comerciais e pipocas), a nossa escolha foi para «
Um Homem Singular», realizado por Tom Ford. Foi um filme inesperado, mas que nos surpreendeu e que marcou o ano cinematográfico com uma história onde a beleza não segue os clichés habituais e, mesmo assim, transborda de encanto e de emoção!
A nossa passagem pelas salas de concertos foi mais preenchida com audições de música clássica do que de outros géneros, mas foi a presença de
Rufus Wainwright (na imagem), no Coliseu do Porto, que mais marcou as nossas noites de música ao vivo. Foi um concerto com duas partes claramente distintas, ambas a solo e ao piano, com a primeira profundamente introspectiva (marcada pela recente perda da sua mãe, a cantora Kate McGarrigle) e a segunda mais colorida e comunicativa, mais perto do seu habitual padrão.
Jónsi marcou o ano com um disco especial, «
Go», o primeiro a solo do vocalista dos Sigur Rós, que foi a primeira escolha do Gonçalo. Já o Luís preferiu destacar o álbum que veio comemorar o centenário do nascimento do escritor Jean Genet (a 19 de Dezembro), que levou por título «
Le Condamné À Mort» (a obra de 1942 que serviu de base ao disco), cantado pela voz sempre deslumbrante de Jeanne Moreau e pela de Étienne Daho.
Em DVD, o Luís escolheu o filme de Friðrik Þór Friðriksson «
Börn Náttúrunnar» (islandês para "Filhos da Natureza"), realizado em 1991, que nos acompanhou na viagem de regresso da nossa aventura de verão. O registo videográfico do espectáculo «
Sticky & Sweet», de Madonna, foi a preferência do Gonçalo.
Muitas das horas passadas na internet foram ocupadas com o sítio lançado para chamar turistas à Islândia, no momento em que toda a gente se sentia insegura com os humores do Eyjafjallajökull, e
inspiredbyiceland.com conseguiu mostrar-nos um país ainda mais diverso, interessante e seguro do que o que já antes imagináramos. Num outro espaço da rede encontrámos
nmcrec.co.uk/musicmap, onde a editora britânica NMC Recordings disponibilizou um mapa musical interactivo que nos permite descobrir e explorar fascinantes relações criativas entre algumas centenas de compositores contemporâneos.
«
Gente Independente», do Nobel da Literatura de 1955, Halldór Laxness, foi o livro que mais agradou ao Gonçalo, muito embora a sua escrita date já de 1934/35. O Luís preferiu «
O Acompanhante», de Jonathan Ames (escritor a seguir de perto que até mereceu muito recentemente a série de televisão «Bored To Death», produzida pela famosa HBO). Por outro lado, o mais lido em nossa casa foi «
O Casamento Sempre Foi Gay E Nunca Triste», a penúltima (e muito recomendável) obra do escritor português José António Almeida.
Escolhemos três lojas, como estabelecimentos do ano: no Porto, de novo a loja
Por Vocação, particularmente pelo sempre surpreendente design das suas montras; em Lisboa, pese ainda o facto de não a termos visitado, a primeira
Muji portuguesa, que certamente vai mudar alguns comportamentos comerciais por aí; mais longe, em Reiquejavique, a mais especial de todas, a
Dead, espaço do artista local Jón Sæmundur, que se dedica à criação de T-shirts pintadas à mão, e que o realizador Quentin Tarantino deu a conhecer nas roupas usadas em «Death Proof» (em Portugal «À Prova de Morte»), em 2007.
Dos muitos momentos bons de 2010 destacamos somente um:
o dia do nosso casamento.
Com o ano no fim, fazemos votos para que em 2011 o casamento civil se consolide no respeito entre todos quantos constituem uma sociedade, abrindo espaço para a dignificação das relações legalmente reconhecidas e para a possibilidade de abrir mais uns quantos armários, a começar pelo simples direito à indiferença no exercício público dos afectos. Para todos vós, e para nós próprios, desejamos que se concretize rapidamente mais esse passo na consecução de um mundo melhor.