Fica algures, no sul de Espanha, na Costa da Luz, bem perto de Vejer de la Frontera, onde estaremos daqui por uns tempos. Por agora colecionam-se imagens (como a que está em cima, da autoria de Chris P Dunn) e constroem-se sonhos. Fazem-se planos e desfazem-se também, quando nem todos os detalhes se ajustam: tudo bem em Vejer, onde já temos a estadia marcada e o sol vai brilhar para as suas flores e para nós; tudo bem na paragem que faremos à ida, que desde hoje ficou confirmada; menos bem na paragem que faremos no regresso, uma vez que a oferta e a disponibilidade são bem mais escassas um pouco abaixo do Tejo, não muito longe da velha fronteira. Do lado de cá, afinal, a procura de um lugar ao sol ainda ultrapassa a oferta disponível no mercado... Enquanto nos for possível!
2011/04/04
prefacio para un viaje en andalucía (cuatro)
Fica algures, no sul de Espanha, na Costa da Luz, bem perto de Vejer de la Frontera, onde estaremos daqui por uns tempos. Por agora colecionam-se imagens (como a que está em cima, da autoria de Chris P Dunn) e constroem-se sonhos. Fazem-se planos e desfazem-se também, quando nem todos os detalhes se ajustam: tudo bem em Vejer, onde já temos a estadia marcada e o sol vai brilhar para as suas flores e para nós; tudo bem na paragem que faremos à ida, que desde hoje ficou confirmada; menos bem na paragem que faremos no regresso, uma vez que a oferta e a disponibilidade são bem mais escassas um pouco abaixo do Tejo, não muito longe da velha fronteira. Do lado de cá, afinal, a procura de um lugar ao sol ainda ultrapassa a oferta disponível no mercado... Enquanto nos for possível!
2011/03/30
morreu ângelo de sousa
2011/03/28
a nossa vitória
Parabéns ao arquitecto, que é do Porto, de Portugal e do mundo e que se acabou de saber ter vencido The Pritzker Architecture Prize 2011, que muito dizem ser equivalente a um Nobel da Arquitectura. O sítio oficial do prémio ainda não anunciou os laureados para este ano e a informação disponível foi avançada por fonte especializada, entretanto já confirmada pelo atelier do arquitecto português. Chama-se Eduardo Souto de Moura e a vitória dele é também a nossa vitória!
2011/03/24
e agora, as coisas boas...
Não é a primeira vez que a IKEA faz publicidade orientada para o público gay. Desta vez foi em Itália, com o anúncio que se mostra. A IKEA Catania reitera: "Nós estamos abertos a todas as famílias. Connosco todos vão sentir-se em casa. O que nós queremos fazer é tornar a vida mais fácil para todos. O que nós queremos fazer é facilitar a vida de todos, de cada família, cada casal, sejam quem forem."A campanha talvez tivesse a intenção de apelar directamente a este tipo de casais e de famílias (como habitualmente o faz com as famílias tradicionais), mas também despertou reacções homófobas na imprensa conservadora. Já os movimentos associativos de luta pela igualdade de direitos LGBT louvaram a campanha, uma vez que promove a igualdade, a visibilidade e a normalidade.
Por cá continuamos a apelar à IKEA que se manifeste!
2011/03/23
ai se ele cai
é cá uma pastilha que ninguém se levanta mais do chão.
Solta uma chuva radioactiva
que até molha o coração.
Ai se ele cai... ai se ele cai abre um buracão,
levanta uma poeira miudinha que tira a tosse da garganta
e rebenta com o pulmão.
E é que se ele cai
não haverá segunda vez nem p'ra mim, nem p'ra ti,
nem pró Papa, nem pró cão.
É qu'aonde ele cai
abre um buracão.
E s'ele cai nunca mais há ninguém p'ra meter num caixão,
é que s'ele cai nunca mais há ninguém p'ra meter num caixão.
Em Tokyo, em Monpracem, no Connecticut,
em Vila Nova (Vila Nova) d'Ourém,
no Minnesota, Vladivostok,
em Tripoli ou aqui,
ou nas ilhas ou nas ilhas Faröe,
em Faro ou nas ilhas Faröe.
Em Tokyo, em Monpracem, no Connecticut,
em Vila Nova de Ourém,
e na Sorbonne, no Minnesota,
Valladolid ou aqui,
ou nas ilhas ou nas ilhas Faröe.
... E tentar a reconstrução
é ter que aturar outra vez o velho Abraão,
os hippies e a fêmea do cro-magnon,
o neo-realismo e o teimoso Tamerlão,
os tratados de balística e o próprio Gengis Cão.
Solta uma chuva radioactiva
que até molha o coração.
Ai se ele cai... ai se ele cai abre um buracão,
levanta uma poeira miudinha que tira a tosse da garganta
e rebenta com o pulmão.
E é que se ele cai
não haverá segunda vez nem p'ra mim, nem p'ra ti,
nem pró Papa, nem pró cão.
É qu'aonde ele cai
abre um buracão.
E s'ele cai nunca mais há ninguém p'ra meter num caixão,
é que s'ele cai nunca mais há ninguém p'ra meter num caixão.
Em Tokyo, em Monpracem, no Connecticut,
em Vila Nova (Vila Nova) d'Ourém,
no Minnesota, Vladivostok,
em Tripoli ou aqui,
ou nas ilhas ou nas ilhas Faröe,
em Faro ou nas ilhas Faröe.
Em Tokyo, em Monpracem, no Connecticut,
em Vila Nova de Ourém,
e na Sorbonne, no Minnesota,
Valladolid ou aqui,
ou nas ilhas ou nas ilhas Faröe.
... E tentar a reconstrução
é ter que aturar outra vez o velho Abraão,
os hippies e a fêmea do cro-magnon,
o neo-realismo e o teimoso Tamerlão,
os tratados de balística e o próprio Gengis Cão.
Letra de «Pershingópolis», do álbum «Defeitos Especiais», dos GNR, tema que pode ser ouvido pela ligação no título da entrada. A letra, de 1984, talvez tenha hoje um contexto (político) que lhe possibilita uma leitura diferente...
2011/03/22
prefacio para un viaje en andalucía (tres)
A foto (encontrada aqui) é da praia El Palmar, a que fica mais perto de Vejer de la Frontera (o nosso próximo e ainda distante destino de férias) e onde deveremos passar algum tempo. Ao lado (temporariamente), um vídeo mostra como as populações a procuram proteger dos grandes interesses económicos, das agressões cegamente capitalistas. Porque há valores que são mais importantes do que outros...
2011/03/21
o meu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um canto, chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera de futuro.
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um canto, chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera de futuro.
Da parceria de Carlos do Carmo (voz), José Luís Tinoco (letra e música) e José Calvário (orquestração) nasceu «No Teu Poema», tal como se apresentou em 1976 ao Festival RTP da Canção. Nesse ano, os apresentadores foram Ana Zanatti, Eládio Clímaco e António Vitorino de Almeida e «O Teu Poema» ficou apenas com o honroso 3º lugar. Mais honras se façam. E hoje, dia em que tantos falam poesia, que este seja o meu poema!
2011/03/20
nina
2011/03/17
prefacio para un viaje en andalucía (dos)
Granada e Málaga estarão já de fora nos nossos planos andaluzes? Talvez! Apesar de Lorca e Picasso continuarem presentes nos costumes e na paisagem de Vejer de la Frontera e da sua região.
2011/03/13
prefacio para un viaje en andalucía (uno)
Granada, Huerta de San Vicente Nº 6¡Ay voz secreta del amor oscuro!
¡ay balido sin lanas! ¡ay herida!
¡ay aguja de hiel, camelia hundida!
¡ay corriente sin mar, ciudad sin muro!
¡Ay noche inmensa de perfil seguro,
montaña celestial de angustia erguida!
¡Ay perro en corazón, voz perseguida,
silencio sin confín, lirio maduro!
Huye de mí, caliente voz de hielo,
no me quieras perder en la maleza
donde sin fruto gimen carne y cielo.
¡Deja el duro marfil de mi cabeza,
apiádate de mí, ¡rompe mi duelo!,
¡que soy amor, que soy naturaleza!
[Imagem e poema como primeiro momento de um prefácio longo para uma viagem por terras andaluzas. Começando (ou não) em Granada, o poema é «¡Ay Voz Secreta Del Amor Oscuro!», de Federico García Lorca, que vem na página 68 do livro «Amor Obscuro», em edição da Hiena Editora, Lisboa, 1992, com tradução paralela de António Moura. A bela imagem foi encontrada na net, e está assinada por Landahlauts.]
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