2011/06/14
através da andaluzia
Da viagem que tínhamos pensado inicialmente – um circuito pela Andaluzia que incluísse Granada, Málaga, Gibraltar, Cádis e Sevilha – restou pouco mais do que a intenção de chegar à mourisca Vejer de la Frontera para nos aquartelarmos e, de lá, rondar pelas luminosas praias andaluzas. À ida, uma pausa na Pousada Flor da Rosa e, à volta, outra no hotel da Mina de São Domingos. Ainda assim, pelo caminho cruzámos Sevilha, Mértola e Serpa e tivemos amena paragem em Cuba antes de seguir estrada acima de regresso ao Porto. Por imagens nossas, foi pouco mais ou menos assim:
O caminho faz-se a passo nas ruas estreitas da judiaria
Numa das praias próximas, em Barbate, uma torre de vigia
2011/06/09
prefacio para un viaje en andalucía (ocho)
Quem consegue ir de férias e não ir de compras?... É difícil, estamos certos! Tanto mais que para as nossas férias andaluzas temos um pequeno alerta para nos lembrar de procurar nas livrarias uma obra de Andrés López Martínez que despertou, há já alguns meses, a nossa atenção: «Música Gay» ou, na versão mais extensa do título, «Historias, Excesos Y Tribulaciones De La Mal Llamada Música Gay».Este ensaio literário pouco vulgar olha de frente para a história da música, especialmente a do século XX, tentando identificar e revelar a "assinatura gay" de autores e intérpretes. Tarefa elaborada, sem dúvida, e também exigente pelo objetivo de reunir num só volume tantos exemplos que a história oficial habitualmente disfarça, por lhe parecer menos bem. Ao que parece, «Música Gay» relata as dificuldades que muitos músicos homossexuais experimentaram em consequência da omnipresente homofobia, muitas vezes mal disfarçada. Versando estilos musicais diversos e artistas absolutamente díspares, ou talvez não, é seguro que as histórias dos cantores, músicos e compositores que mais nos atraem nos vão saber a pouco. Mas, por outro lado, o livro proporciona-nos a "revelação" de músicos cuja orientação sexual ainda não conhecíamos e faz, por essa via, com a que se torne mais clara e mais forte a voz dos que têm sido mascarados pelo sistema.
«Música Gay» (da Editorial Milénio) é um livro sobre música, sobre pessoas, sobre a sociedade e sobre as lutas pelos direitos mais básicos de todos nós. Para ler, não para ouvir, nem para ver figurinhas. Fala-nos das histórias de Dusty Springfield, mas também de Chavela Vargas; de Elton John, mas também de Genesis P-Orridge; de Sylvester e de Liberace; de toda essa gente e de todos nós. Por tudo isso, se a sorte de o encontrar estiver do nosso lado, esta será também uma das mais acertadas recordações da Andaluzia.
2011/06/07
prefacio para un viaje en andalucía (siete)
Há uns tempos, por causa do local que escolhemos para a nossa Lua de Mel, o amigo Paulo (o Paulo é o Paulo, os habituais já sabem qual) fez-nos saber que a editora Taschen tinha lançado o primeiro volume de uma nova monografia sobre hotéis, assinada pela prestigiada Angelika Taschen. O livro intitulava-se «Taschen's Favourite Hotels» e era uma pequeno peso-pesado nas suas 450 páginas semeadas de belas imagens, curtos textos e breves fichas técnicas de uma imensa quantidade de unidades hoteleiras da Europa, África e Médio-Oriente, Ásia, América do Norte, América Latina e Caraíbas. Interessante, para deliciar a vista e muito prático – na nossa perspetiva – para conhecer melhor a Europa, que sempre tem sido e continuará certamente a ser o nosso palco de viagem.Na Europa, Angelika Taschen destacou 23 unidades hoteleiras da Noruega à Turquia, passando por Portugal, França e Espanha: lá estava da página 122 à 127 a nossa Pousada de Amares, que "o arquitecto Eduardo Souto de Moura restaurou meticulosamente"; da página 96 à 101 o fascinante Hôtel Le Corbusier, que visitámos em Marselha, onde "Le Corbusier realizou em 1952 a sua visão da 'cidade vertical na cidade'"; ou, da página 118 à 121, o Hotel Hurricane, em Tarifa (Andaluzia), por onde andaremos nas férias de 2011, que fica junto de belas praias e de onde "em dias de vista clara é possível ver-se até à costa do Norte de África".
A descrição seduziu-nos, mas também incentivou a procura de outras opções. Surgiram muitas e a que escolhemos fica na bela Vejer de la Frontera, a mais mourisca das aldeias brancas da Andaluzia. No alto do monte, com uma vista deslumbrante, a escassos quilómetros da costa e das praias de areia fina e dourada. Chegando a oportunidade de confirmar a nossa escolha e de a voltar a avaliar com outro rigor, mostrá-la-emos aqui! Não será uma apresentação tão esplendorosa quanto as do livro da Taschen, mas terá muita alma, também.
2011/06/05
o direito de governar
Quanto as projeções das 20h00 nos fazem supor que Portugal irá ser governado (e presidido) pela direita, só nos ocorre felicitar os vencedores e expressar a expectativa de que façam muito melhor do que os vencidos. Também nos parece oportuno esperar, quando se admite nas projeções que o Partido pelos Animais e pela Natureza possa eleger um deputado, que tal não passe de uma mera hipótese ou que o tempo a cuidará de corrigir, até porque animais e natureza somos todos nós, e entre nós há muitos cuja pobreza nos deveria preocupar mais do que tem preocupado (é vê-los, de braço estendido, às portas dos supermercados).Que Portugal consiga ser melhor a partir de 6 de Junho de 2011 são os nossos votos, apesar de derrotados! Dos que hoje venceram e vão conquistar o direito de o governar, por todos nós, fica a exigência de um Portugal melhor, porque foi isso que nos prometeram e a todos quantos votaram neles!
2011/06/03
jantar de blogues
Amanhã (sábado, 4 de Junho) tem lugar, no restaurante o Guilho, na Amadora, o «5º Jantar de Bloguistas e Simpatizantes» organizado, como habitualmente, pelos nossos amigos Pinguim e pelos "Felizes Juntos" (o Zé e o Paulo). Não estaremos presentes, mais uma vez, apesar de já termos estado numa das edições anteriores e recomendarmos a presença a todos quantos tenham vontade de um convívio alegre e descomprometido, independentemente do seu sexo, raça, orientação sexual, local de residência, habitações académicas, nacionalidade e afins ou (mais importante ainda) independentemente, também, de terem ou não terem blogues.É só para lembrar e desejar bom convívio a todos, pois dificilmente haverá mais alguém a decidir comparecer de um dia para ou outro. Mas, se for esse o seu caso, siga então até aos blogues felizesjuntos ou whynotnow e recolha lá todos os detalhes. Depois conte-nos como foi, okay?
Mas atenção: não coma nem beba em demasiado, para no dia seguinte estar em boas condições para ir votar e votar bem! Entendido, ou é preciso explicar melhor?...
2011/05/28
prefacio para un viaje en andalucía (seis)
Na Andaluzia, alguns praticantes de naturismo experimentam o body paint, atividade agradável e divertida que se vai popularizando entre nudistas e naturistas. A imagem à esquerda (editada a partir de outra com origem no blogue Nudismo en Córdoba) ilustra a sua utilização entre os andaluzes, que já começam a saber quais as tintas que provocam ou não irritações cutâneas, utilizando preferencialmente as acrílicas.Também deveras interessante é o documentário «Vivre Nu: A la Recherche du Paradis Perdu», realizado por Robert Salis em 1993, a que chegámos através do blogue La Isla Natural y Naturista. É um filme que nos apresenta o Domaine de Bélézy, um centro de férias idílico próximo do Monte Ventor, no coração da Provença (França), onde a prática do nudismo é vivida numa comunidade de gente de ambos os sexos e de todas as idades, com total naturalidade e respeito, mesmo entre famílias. É algo que decorre há já várias décadas, como se poderá ver. Também o filme está disponível aqui, através de ligação direta no título desta entrada. É longo (01h42), mas vale a pena vê-lo e adquiri-lo.
A cada semana que passa, as nossas férias ficam mais próximas e esta sexta edição do «prefacio para un viaje en andalucía» é mais um momento que solta a nossa imaginação para os dias que vão chegando e aproximando-nos do nosso destino deste ano: a andaluza Vejer de la Frontera.
2011/05/27
infinitamente pouco
Este era o meu pai, em 1940. Pela data do documento onde a foto foi colada (um Bilhete de Identidade da época), ele teria no máximo 22 anos de idade. Cresceu e envelheceu. Em 1996 tinha já 79 anos, quando partiu. Sem uma despedida sequer, porque foi vítima de um acidente. Durante dois dias resistiu entregue aos cuidados intensivos de um hospital e, depois,... desligaram-lhe a máquina. Estava previsto que pudesse acontecer às 6 da tarde, se até lá não houvesse sinais vitais autónomos. Sabíamos que provavelmente não haveria. E não houve...Passaram-se 15 anos. 15, um número demasiado "redondo" para não o assinalar! Até porque este "rapaz" merece que o seu filho o recorde mais uma vez. Com admiração, com orgulho, com saudade e nada mais. Não com lágrimas, nem amarguras. Tudo isso já houve, porque teve de haver e não para mostrar ao mundo.
Recordar é porque a imensidão do que ficou, o que nos resta, é sempre infinitamente pouco!
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