2011/06/25

o mundo é a minha ostra

Apesar de continuar a haver condutores (portugueses) a circular nas estradas (portuguesas) a velocidades acima das legalmente permitidas, desrespeitando regras e pondo em risco a sua vida e a vida dos outros, semeando caos e morte e é caso para perguntar porque é que tanto se tolera em Portugal em matéria de trânsito, quando aí estava uma mais que justa fonte de receita para problemas por resolver também há quem simplesmente se queira divertir sem complicações, quem se preocupe em promover transportes alternativos e em limar as arestas do (falso) pudor generalizado das populações e fazer chegar uma mensagem (ou muitas mensagens) mais longe.
Para isso deverá acontecer amanhã (domingo, 26 de junho) o primeiro World Naked Bike Ride Lisboa. Assim se espera, de acordo com as notícias mais recentes e o apelo da organização que tem um blogue, onde o título acima conduz "Vem pedalar o mais nu que conseguires!" é o desafio.
O mais importante é pegar numa bicicleta e nos amigos e estar lá, sem preconceitos. Até com um batom sobre a pele se pode escrever aquilo que nos vai na alma. Eu cá faria passar o nosso regozijo pela aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ontem, em Nova Iorque – um grande passo para o mundo. Já os saudosos Frankie Goes To Hollywood cantavam que "o mundo é a minha ostra" e é bem verdade que o era e vai continuar a sê-lo...
Por isso, boa sorte Lisboa!

2011/06/22

epílogo de un viaje en andalucía


GACELA PRIMERA
DEL AMOR IMPREVISTO

Nadie comprendía el perfume
de la oscura magnolia de tu vientre.
Nadie sabía que martirizabas
un colibrí de amor entre los dientes.

Mil caballitos persas se dormían
en la plaza con luna de tu frente,
mientras que yo enlazaba cuatro noches
tu cintura, enemiga de la nieve.

Entre yeso y jazmines, tu mirada
era un pálido ramo de simientes.
Yo busqué, para darte, por mi pecho
las letras de marfil que dicen siempre.

Siempre, siempre: jardín de mi agonía,
tu cuerpo fugitivo para siempre,
la sangre de tus venas en mi boca,
tu boca ya sin luz para mi muerte.

[Federico García Lorca, «Diván Del Tamarit».]

2011/06/19

marcha popular

"Uma bandeira gigante com as cores do arco-íris circulou pelas ruas da Baixa de Lisboa"

2011/06/14

através da andaluzia

Da viagem que tínhamos pensado inicialmente um circuito pela Andaluzia que incluísse Granada, Málaga, Gibraltar, Cádis e Sevilha restou pouco mais do que a intenção de chegar à mourisca Vejer de la Frontera para nos aquartelarmos e, de lá, rondar pelas luminosas praias andaluzas. À ida, uma pausa na Pousada Flor da Rosa e, à volta, outra no hotel da Mina de São Domingos. Ainda assim, pelo caminho cruzámos Sevilha, Mértola e Serpa e tivemos amena paragem em Cuba antes de seguir estrada acima de regresso ao Porto. Por imagens nossas, foi pouco mais ou menos assim:

Linha de ciprestes à entrada da Pousada Flor da Rosa, no Crato

Acima, no campanário, uma cegonha no seu ninho

A caminho da receção há volutas de ferro na antiga igreja

Túmulo do fundador do Mosteiro da Flor da Rosa

Corredor lateral dos claustros do mosteiro

Vista com composição da Cruz de Malta no lago central

O nosso quarto: moderno, amplo e confortável

O refeitório, marcado pelo "arco-íris" dos candelabros

Na manhã da partida, também os pombos levantam voo

À entrada de Vejer de la Frontera. Seriam gigantes?...

A entrada na casa dos sete balcões, o nosso poiso em Vejer

Um quarto com glamour, nosso por quatro dias

Defronte à cama, as portadas para uma varanda

O chão, em mosaico antigo, dava um ar mourisco ao quarto

De uma das nossas varandas, a vista para a rua

Em frente, o último andar de uma casa fechada ao calor

Mais adiante, o florido terraço de uma casa vizinha

A Igreja do Divino Salvador, construída com a conquista cristã

Uma fachada que pede atenção para os detalhes...

Sol e sombra no recinto amuralhado do município

As flores abundavam, mas neste pátio prendiam a atenção

A roupa pendurada a secar contrasta com a alvura do casario

O casario ergue-se nos céus, a 201 metros de altitude

O sol esconde-se, lentamente, trazendo a noite

Monumento à mulher cobijada de Vejer

À noite, o branco torna-se dourado pelas luzes

Nas ruas mais escuras é a lua clara que nos ilumina

O caminho faz-se a passo nas ruas estreitas da judiaria

Numa das praias próximas, em Barbate, uma torre de vigia

Noutra, em Caños de Meca, o ambiente era mais descontraído

Em Conil de la Frontera, as árvores cresceram vergadas pelo vento

Panorâmica da costa e do mar de Atlanterra

Búnquer da Guerra Civil Espanhola, junto de Atlanterra

A praia: serena, de areias quentes e água refrescante

Por perto, dois jovens banhistas preparados para tudo...

No regresso, uma pausa em Sevilha

...onde a vida pululava por todos os recantos

Passeio à sombra, na Plaza Nueva de Sevilha

Em Portugal, uma breve pausa após a travessia de Mértola

Na Mina de São Domingos, o encanto da natureza

A praia fluvial da Tapada Grande, na Mina de São Domingos

Havia um ambiente quase-mágico nos silêncios da tapada

Uma vista do hotel e da esplanada onde jantámos

Já de regresso a casa, percorrendo a muralha de Serpa

Em Cuba, para um encontro especial, a última escala.

2011/06/09

prefacio para un viaje en andalucía (ocho)

Quem consegue ir de férias e não ir de compras?... É difícil, estamos certos! Tanto mais que para as nossas férias andaluzas temos um pequeno alerta para nos lembrar de procurar nas livrarias uma obra de Andrés López Martínez que despertou, há já alguns meses, a nossa atenção: «Música Gay» ou, na versão mais extensa do título, «Historias, Excesos Y Tribulaciones De La Mal Llamada Música Gay».
Este ensaio literário pouco vulgar olha de frente para a história da música, especialmente a do século XX, tentando identificar e revelar a "assinatura gay" de autores e intérpretes. Tarefa elaborada, sem dúvida, e também exigente pelo objetivo de reunir num só volume tantos exemplos que a história oficial habitualmente disfarça, por lhe parecer menos bem. Ao que parece, «Música Gay» relata as dificuldades que muitos músicos homossexuais experimentaram em consequência da omnipresente homofobia, muitas vezes mal disfarçada. Versando estilos musicais diversos e artistas absolutamente díspares, ou talvez não, é seguro que as histórias dos cantores, músicos e compositores que mais nos atraem nos vão saber a pouco. Mas, por outro lado, o livro proporciona-nos a "revelação" de músicos cuja orientação sexual ainda não conhecíamos e faz, por essa via, com a que se torne mais clara e mais forte a voz dos que têm sido mascarados pelo sistema.
«Música Gay» (da Editorial Milénio) é um livro sobre música, sobre pessoas, sobre a sociedade e sobre as lutas pelos direitos mais básicos de todos nós. Para ler, não para ouvir, nem para ver figurinhas. Fala-nos das histórias de Dusty Springfield, mas também de Chavela Vargas; de Elton John, mas também de Genesis P-Orridge; de Sylvester e de Liberace; de toda essa gente e de todos nós. Por tudo isso, se a sorte de o encontrar estiver do nosso lado, esta será também uma das mais acertadas recordações da Andaluzia.

2011/06/07

dia do cavaquistão

"Cavaco Silva vai condecorar no Dia de Portugal a antiga ministra das finanças e antiga líder do PSD Manuela Ferreira Leite com Grã-Cruz da Ordem de Cristo."