«Escrevo Para Desistir» foi escrito por Isabel de Sá e lançado à rua há duas décadas pela editora & etc. Um excerto, lido à página 53:Faltou-me sempre paciência para guardar um manuscrito. À medida que o texto se forma vou destruindo as páginas que parecem imperfeitas. Trato a escrita com displicência, assim é a caligrafia desses instantes, sem o gosto que lhe imprimo ao escrever cartas.
Ao pensar na essência da palavra, nas cartas do pintor a seu irmão, detenho-me na última: "O meu trabalho, nele arrisco a vida e nele perdi, em parte, a razão". O testemunho da dor humana faz-nos aquietar as flutuações do espírito. Triunfar na dificuldade de cada dia. Esse grito agónico é particularmente visível nos "auto-retratos", na sua crispação e tragédia. Também nós somos mais visíveis quando ao espelho deciframos o tumulto que muitas vezes nos impede de viver na claridade.
Isabel começou na & etc em 1979, com «Esquilo Frenia» e «Escrevo Para Desistir» foi o seu oitavo livro publicado, com data de 1988.
Amanhã, 13 de Junho de 2008, fará mais um ano (o 11º) que Al Berto — escritor também e co-fundador da & etc — nos deixou. Pela amizade e pela saudade não ficará mal lembrá-lo na citação deste poema.
9 comentários:
Gosto das publicações da & etc. Não conhecia a Isabel, mas parece-me rapariga lúcida e reflexiva.
Aplaudo de pé o Al Berto e leio-o. Sempre. :)
Olá Catatau! A & etc é editora de referência e a Isabel é mesmo para conhecer melhor, mais não fosse pelo link que deixámos lá em acima. Depois, não terás dificuldade em encontrar os seus livros no nosso Porto... O Al Berto merece uma vez mais e sempre o aplauso a que te referes. E lê-se ainda com a mesma vontade das primeiras noites. Abraço,
Sempre Al Berto! Já agora Pessoa e Eugénio que também ficaram ligados a este dia.
Um abraço.
Special: O Al Berto, eu conheci. E apesar da sua partida, a escrita dele continua plena de contemporaneidade. Toca-me e é especial para mim, por isso mesmo. Pessoa é uma outra figura, maior sem dúvida em muitos aspectos mas já clássica, apesar da sua modernidade. Eu acho bom reencontrá-lo, sobretudo por exercício de intelectualidade. Já o Eugénio era de cá, mas nunca o vi em pessoa, nem o vivi com verdadeira emoção. É um assunto que tenho para resolver. Não sei como o farei, mas talvez o tente de novo, um dia próximo. Com respeito pelos três — o que nasceu a 13 de Junho e os dois que morreram nessa data — eu deixo uma homenagem colectiva pelas ligações da barra lateral. Lá no topo continua uma para a Isabel de Sá, que é na verdade o principal objecto da nossa atenção.
(Um bom dia de Santo António, para todos vocês.)
Caros amigos
quando estivemos aí em vossa casa, lembro.me de termos falado da excelência da & ETC; também eu não conhecia Isabel de Sá e é assim mais uma referência que vocês me oferecem.
Sabendo do conhecimento pessoal com o Al Berto, é mais do que justificada a referência a este poeta tão grande, mas menos lembrado que Pessoa.
Abraços.
Muito bom gosto!!!
Já tens o DEZ CARTAS PARA AL BERTO? Eu gostei muitooooo.
Um abraço.
Não conhecia esta escritora. Não gosto muito do título, mas o excerto cativou-me.
Na feira do livro ainda se encontram muitos títulos desta editora.
Tem graça que tb conheci pessoalmente o Al Berto. Ainda ali tenho uma dedicatória num dos livros dele.Fizeste-me lembrar outros tempos e outras pessoas.
Dia fatídico e dia feliz este, pelos vistos. Dia de homenagens.
Muito bem a reprodução do livrinho e a referência à poeta Isabel de Sá. Esta poeta está referenciada na História da Literatura, ao lado do Luís Miguel Nava, são os dois poetas mais relevantes dos anos 80.
Aproveito para chamar a atenção a uma sessão de poesia e análise da sua obra,na Fundação Eugénio de Andrade, no Porto, no próximo Sábado 21 de Junho, pelas 18.30h.
Pinguim: Uns dias após a vossa partida do Porto voltámos às arrumações da nossa biblioteca (estante de livros), e agora a & etc está mais juntinha e, portanto, mais à mão. E são uns quanto (mesmo que não sejam demasiados) os livrinhos da editora que fomos juntando e lendo... E são todos tão bons!... Abc,
SP: As "Dez Cartas Para Al Berto" ainda não comprei, mas tenho algumas inéditas dele na gaveta. Tenho curiosidade de lê-lo... Em breve! 1abc, também,
Rui: Há uns anos eu escrevia para desistir de pensar numas quantas coisas. Às vezes eram as minhas cartas de amor para os amantes que desejei ter e quase nunca tive. Há muitas maneiras de se escrever, mesmo para desistir. Tenta outro título da Isabel. Talvez te agrade. Também 1abc,
Graça: Hoje já te respondi por e-mail privado, mas agradeço as palavras elogiosas e os detalhes extra. Beijinho, até breve,
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