Chegou a temporada das marchas e das festas: na fotografia de Zsolt Szigetváry (que descobri através do feliz Paulo), dois homens vítimas de ataque homofóbico durante a marcha do orgulho realizada no ano passado na Hungria, aguardam assistência médica. A fotografia valeu ao autor o segundo prémio da World Press Photo na categoria Contemporary Issues, mas entretanto, de lá para cá, de então para agora, pouca coisa terá mudado. Não me sinto à vontade para dar a cara em marchas, não marcho, porque temo a presença de câmaras que divulguem a minha identidade sexual a quem eu não a quero revelar. Mas tenho vergonha, cada vez tenho mais vergonha de não participar, quando há outros que o fazem por mim, às vezes sob pena de serem espancados por pessoas que nos odeiam. Acredito que é importante ir para a rua, acredito que isso ajuda a mudar mentalidades, acredito que isso foi importante para que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja hoje uma realidade em Espanha e noutros países (mais recentemente na Noruega). Não engulo os argumentos de que as marchas são contraproducentes, esse parece-me ser um argumento de quem, como eu, tem medo de dar a cara, mas não o admite. Portanto participem, hoje 28 de Junho em Lisboa, no dia 12 de Julho no Porto — não deixem de ir, pelos que lá estão e pelos que não vão.
2008/06/28
marchar ou não marchar
Chegou a temporada das marchas e das festas: na fotografia de Zsolt Szigetváry (que descobri através do feliz Paulo), dois homens vítimas de ataque homofóbico durante a marcha do orgulho realizada no ano passado na Hungria, aguardam assistência médica. A fotografia valeu ao autor o segundo prémio da World Press Photo na categoria Contemporary Issues, mas entretanto, de lá para cá, de então para agora, pouca coisa terá mudado. Não me sinto à vontade para dar a cara em marchas, não marcho, porque temo a presença de câmaras que divulguem a minha identidade sexual a quem eu não a quero revelar. Mas tenho vergonha, cada vez tenho mais vergonha de não participar, quando há outros que o fazem por mim, às vezes sob pena de serem espancados por pessoas que nos odeiam. Acredito que é importante ir para a rua, acredito que isso ajuda a mudar mentalidades, acredito que isso foi importante para que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja hoje uma realidade em Espanha e noutros países (mais recentemente na Noruega). Não engulo os argumentos de que as marchas são contraproducentes, esse parece-me ser um argumento de quem, como eu, tem medo de dar a cara, mas não o admite. Portanto participem, hoje 28 de Junho em Lisboa, no dia 12 de Julho no Porto — não deixem de ir, pelos que lá estão e pelos que não vão.
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9 comentários:
Caro Gonçalo
claro que respeito perfeitamente a tua posição, que acaba por não ser uma opção tua, mas uma opção imposta por uma sociedade homofóbica; não tens que te envergonhar por isso.
No resto, lê por favor, a minha opinião que está no texto, hoje publicado no meu blog.
Abraço muito amigo para vós.
Obrigado pelo comentário pinguim. Já fui ao teu blog deixar a minha opinião. Abraços.
Estou contigo. E não tens que andar a apregoar seja o que fôr (também faço isso). Gosto de manter as coisas em low profile e não admito que me venham agora dizer que sou "mais" ou "menos", só porque não embarco em festivais.
No ano passado fui ver o do Porto. Havia mais "alegres" a assistir do que no orgulho propriamente dito. Tudo muito cool, como se vê.
Sexo assumido, sim! Espalhafato, não! :)
Engraçado tenho mais ou menos a mesma opinião que tu sobre as marchas. No ano passado fui pela primeira vez a uma marcha. De início ia com medo a esconder-me das câmaras, passado algum tempo comecei a descontrair e esquecime completamente disso. No dia seguinte fui correr os jornais, o YT e os canais de televisão para ver se por acaso não aparecia em nenhuma reportagem.
Este ano tammbém foi divertido.
Um abraço.
compreendo-te muito bem, Gonçalo, e compreendo todos o que o não fazem pelos mesmos motivos. tenho pena que ainda seja assim, que as pessoas se sintam tão intimidas. mas também tenho pena do modo como são organizadas, geridas e do marketing que as envolve. já escrevi sobre o assunto e já comentei: há coisas muito erradas, há aspectos como o choque pelo choque que não me agradam, não me identifico. e, acredita, as coisas não mudam muito com marcas assim. valem mais as séries e os filmes e faltam os famosos começarem a sair do armário... isso é que era, mas por cá, nada.
um abraço
Marchar, não marcho, que sou comprometido (que piada estúpida)
Mas lá que ia à festa que o amigo Pinguim descreve, á isso ia.
Concordo plenamente contigo, Gonçalo, como já disse no comentário que fiz no blog do Pinguim.
Admiro que reconheças como uma fraqueza, aquilo que muitos teimam em apregoar como uma forma de superioridade (a discrição) em relação a comportamentos de outros gays ("espalhafato"). Não há pachorra!
Admito até que muitos não vão, não por medo de dar a cara, mas por não se identificarem com esses aspectos. Mas vai dar no mesmo, porque é ainda o medo de serem identificados com estereótipos nos quais mais se reflecte a homofobia.
Muito obrigado a todos pelos comentários. Desculpem só agora responder mas, como já devem saber, fomos de férias e, a propósito, participámos na marcha de Marselha — foi um primeiro passo...
Special K: admiro as pessoas que vão à marcha e deves tomar o elogio pessoalmente :-)
rui:alexandre: é tão bom quando verificamos que as pessoas lêem no nosso texto exactamente aquilo que queríamos dizer. No caso desta entrada só aconteceu mesmo quando li o teu comentário ;-)
Abraços.
Desde o dia 29 de Junho que ando arredado do gayfield. Por um lado, porque se meteram as férias (iniciadas logo no dia a seguir) e depois o trabalho de novo (apenas 2 dias após o regresso). Mas, por outro, porque as reacções a esta entrada do Gonçalo me incomodaram mais do que o costume para dizer a mim mesmo "tem calma que essa fúria vai passar-te!". Acho que passou, que já não se justifica estar aqui a contrariar as teorias ou as práticas expostas. Mas sublinho muito profundamente (como que faça pressão com o bico da caneta sobre o suave papel) que estou ao lado do Gonçalo nas suas considerações. E que, nestas coisas, não se vai para ver, como quem vai ver passar os marchas de Santo António. Nisto, ou se vai para participar, ou se fica em casa!... E desculpem-me o silencio, mas estou ainda a tentar desbloquear!!!
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