"Um travesti que perdeu o amor pela vida é confrontado com a alegria de viver de um adolescente com Síndrome de Down", é a forma como se pode resumir a história de «A Outra Margem». Não são temas que me levem ao cinema, mas não consegui resistir à curiosidade após assistir a uma interessante reportagem sobre o filme na TV e a ter sabido da opinião de dois ou três dos amigos daqui. Para mais, por um acaso ontem passei pelos Cinemas Medeia Cidade do Porto e lá perguntei até quando estaria ainda o filme em exibição, pensando vê-lo no próximo fim-de-semana com o Gonçalo. Mas era já o último dia e, apesar de nessa altura estar sem o meu companheiro que se encontrava a trabalhar, não pude deixar de me deslocar à extensão dos cinemas no Teatro do Campo Alegre onde, às 22 horas, assisti ao filme. E ainda bem! Confirmo que Filipe Duarte e Tomás de Almeida na minha opinião bem mereceram o prémio ex-aequo que receberam no Festival de Cinema do Mundo de Montreal, Canadá, para melhor actor. E Luís Filipe Rocha, o realizador que recebeu o Prémio Arco-Íris atribuído este ano pela ILGA Portugal e já antes tinha assinado o também belo «Sinais de Fogo» (filme inspirado no livro de Jorge de Sena), passou a ser também para mim uma das figuras portuguesas mais relevantes neste ano que se aproxima já do fim. Porquê? Porque fez pensar. Porque faz e fará ainda pensar em questões que não são fáceis e que Portugal costuma esquecer. E porque o faz (segundo acredito) numa perspectiva exterior aos temas reflectidos, mas fá-lo com correcção e com uma paixão que não pode ser acusada de exageros. Gostei de Filipe Duarte, como actor e da sua personagem que logo que entra em cena me lembra a "descida à terra" de Mick Jagger no filme «Bent». Ou, também nessa princípio da história, a bem conseguida alternância de imagem e entrosamento de som entre a actuação do travesti na discoteca e o crepitar do fogo da cremação do seu namorado que decorria ao mesmo tempo, noutro local. E as relações que se foram mostrando, como flores que se abrem: com a irmã, o pai, o sobrinho, a noiva abandonada e, até, com os engates de cada momento ou os adiamentos consecutivos na entrega das cinzas do companheiro às suas origens... «The Other Side» é o título em inglês para este filme que merece lugar na história do cinema internacional de temática gay. A propósito: «Paranoid Park» é o novo de Gus Van Sant e estreia hoje por cá. Antes do filme será exibida uma nova curta-metragem de Joaquim Pinto, um realizador que se mostrou pela primeira vez em 1988 com «Uma Pedra no Bolso». A esse voltarei depois, talvez num destes dias...
2007/11/29
coisas de cinema
"Um travesti que perdeu o amor pela vida é confrontado com a alegria de viver de um adolescente com Síndrome de Down", é a forma como se pode resumir a história de «A Outra Margem». Não são temas que me levem ao cinema, mas não consegui resistir à curiosidade após assistir a uma interessante reportagem sobre o filme na TV e a ter sabido da opinião de dois ou três dos amigos daqui. Para mais, por um acaso ontem passei pelos Cinemas Medeia Cidade do Porto e lá perguntei até quando estaria ainda o filme em exibição, pensando vê-lo no próximo fim-de-semana com o Gonçalo. Mas era já o último dia e, apesar de nessa altura estar sem o meu companheiro que se encontrava a trabalhar, não pude deixar de me deslocar à extensão dos cinemas no Teatro do Campo Alegre onde, às 22 horas, assisti ao filme. E ainda bem! Confirmo que Filipe Duarte e Tomás de Almeida na minha opinião bem mereceram o prémio ex-aequo que receberam no Festival de Cinema do Mundo de Montreal, Canadá, para melhor actor. E Luís Filipe Rocha, o realizador que recebeu o Prémio Arco-Íris atribuído este ano pela ILGA Portugal e já antes tinha assinado o também belo «Sinais de Fogo» (filme inspirado no livro de Jorge de Sena), passou a ser também para mim uma das figuras portuguesas mais relevantes neste ano que se aproxima já do fim. Porquê? Porque fez pensar. Porque faz e fará ainda pensar em questões que não são fáceis e que Portugal costuma esquecer. E porque o faz (segundo acredito) numa perspectiva exterior aos temas reflectidos, mas fá-lo com correcção e com uma paixão que não pode ser acusada de exageros. Gostei de Filipe Duarte, como actor e da sua personagem que logo que entra em cena me lembra a "descida à terra" de Mick Jagger no filme «Bent». Ou, também nessa princípio da história, a bem conseguida alternância de imagem e entrosamento de som entre a actuação do travesti na discoteca e o crepitar do fogo da cremação do seu namorado que decorria ao mesmo tempo, noutro local. E as relações que se foram mostrando, como flores que se abrem: com a irmã, o pai, o sobrinho, a noiva abandonada e, até, com os engates de cada momento ou os adiamentos consecutivos na entrega das cinzas do companheiro às suas origens... «The Other Side» é o título em inglês para este filme que merece lugar na história do cinema internacional de temática gay. A propósito: «Paranoid Park» é o novo de Gus Van Sant e estreia hoje por cá. Antes do filme será exibida uma nova curta-metragem de Joaquim Pinto, um realizador que se mostrou pela primeira vez em 1988 com «Uma Pedra no Bolso». A esse voltarei depois, talvez num destes dias...
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
5 comentários:
Caro Luís
ainda não consegui ver o filme, apesar das críticas quase unânimente positivas.
Gosto muito do Filipe Duarte como homem, é muito sexy, será desta que o irei ver num bom papel? Parece que sim...
É um homem sexy sim senhor! Mas discordo com o Pinguim, pois gostei muito do papel dele na série "A Febre do Ouro Negro". Acho que ele esteve muito bem nessa, que foi a estreia como actor em televisão. Também gosto de ouvir a voz dele na locução de anúncios.
Ping: Acho que deves ver o filme. Pelo que conheço de ti acredito que vais gostar. Talvez até que te emocionará. Abraço, amigo!
Special K: Eu acho que não conhecia o Filipe Duarte, nem como homem, nem como actor. Mas gostei de o ver e ouvir em entrevista e em representação. Abraço,
O Filipe Duarte só me lembrava dele numa telenovela portuguesa. Faz um papel muito bom neste filme.
O filme é belíssimo e tem algumas cenas memoráveis.
É, Rui, é um excelente filme. Eu até, se calhar, não gostaria de escrever isto mas acho que — para além de todos os atributos referidos, que inclusivamente agradaram a amigos meus heterossexuais — socialmente a história é muito "moralizadora". Acho que nos fazem falta mais intervenções assim!
Enviar um comentário