2006/09/01

a voz

Eu aprendi a gostar da voz de Frank Sinatra pela mão de alguém que gostava muito, também, de Edith Piaf (e não era o Gonçalo que, embora goste muito de Piaf, não vai por aí além com o estilo do Frank). Mas foi Francis Albert Sinatra que ficou conhecido, em 1946, pela elogiosa alcunha de The Voice, tudo porque nesse ano ele teve um álbum com o título «The Voice of Frank Sinatra».
Outra voz famosa e que fez história é conhecida por cá como A Voz do Dono. Nesta, a história é ainda mais antiga: tudo começa em 1901, ano em que nascia a Victor Talking Machine Company, empresa que viria a ser uma das maiores do mundo no fabrico de fonógrafos e dos respectivos discos. Durou até 1929, ano em que a Radio Corporation of America, então a maior companhia norte-americana de telecomunicações, adquire a primeira e funde as duas como RCA Victor. Mas esta fusão de empresas passa também pela renovação da entidade comercial e, para tal, a nova companhia recorre à imagem já antes experimentada pela Victor: a de um pequeno cachorro (o Nipper) que se concentra obedientemente num gramofone de onde sai a voz do dono (His Master's Voice). A memória do pequeno Nipper continua viva hoje ainda no logótipo das lojas HMV, como a que sempre visitamos em Oxford Street, nas viagens a Londres.
Já na presente ilustração usei um outro cão e um outro dono. Desconheço o autor da fotografia, o nome do jovem ou do feliz bicho que o acompanha no instante perpetuado. Nem percebi bem se, com tanta movimentação do... dono, é de facto a sua voz que lhe chama a atenção... Enquanto penso na metáfora que me saiu feliz, vou ouvindo a Edith Piaf num disco que o Gonçalo me ofereceu no fim-de-semana passado: «Le Bel Indifférent», peça em um acto de 1940, escrita por Jean Cocteau para a voz da diva francesa, que é mais uma obra de arte a que o tempo não roubou a capacidade de nos deslumbrar. Até já...

4 comentários:

lucy disse...

linda foto!

pensei numa coisa importante essa semana: chico buarque vocês conhecem?

vejam o vídeo que postei no meu blog. estou com saudades, mas ainda preciso acabar de me organizar pra voltar ao cotidiano de uma pessoa normal. dizem por aí que não vou voltar nunca, porque nunca tive um cotidiano normal... por enquanto, vamos assim mesmo.

beijos!

Anónimo disse...

Obrigado pelo elogio à (escolha da) foto. O Gonçalo disse que quem não me conhecesse ainda pensaria que eu ando com a obsessão de ter um cão. O que não é verdade pois, apesar de gostar e de respeitar muito cães e gatos em especial, prefiro viver no meu mundo, sem tudo aquilo que é acrescentado pela simples presença dos bichos.
Feita esta explicação, viremo-nos para o Chico: ele é quase tanto português quanto brasileiro, sabia? Ele está sempre por cá e não há português que nunca tenha ouvido falar dele uma vez pelo menos. Nós, em casa, temos só um disco dele que é uma antologia com as canções mais políticas que escreveu e cantou, chama-se «O Político».
O vídeo a que refere já vi, mas no PC onde estou não tenho som e isso parece ser um elemento bastante importante. Por isso voltarei vê-lo depois, a partir do meu querido iMac lá de casa.
Uma nota final: recebeu o meu comentário no Iluminuras com o poema do António Gedeão? Gostou? Mando de novo?...
Beijo,

lucy disse...

não recebi poema não! manda de novo, por favor?

beijos!

Anónimo disse...

Sim, vou mandar de novo, mas é possível que seja só na próxima semana, pois não o tenho aqui comigo... Tendo a função de comentário, vou tentar pô-lo outra vez na entrada original: «pra não dizer que não falei das digressões». Eu creio que deve ter sido qualquer problema relacionado com o processo de moderação, que está activado, mas eu tentarei de novo. **