Café Müller é o título. Como música, algumas canções ou árias de óperas — não me lembro do nome da coreógrafa (é uma mulher). Numa sala cheia de cadeiras deambulam figuras sonâmbulas; um homem atarefado a afastar as cadeiras que se cruzam no caminho dos bailarinos que correm de uma ponta à outra do palco. Há uma mulher com ridícula cabeleira ruiva, ridículo sobretudo e sapatos de tacão alto; vai apressada, nervosa, intrometida e curiosa e depois tira a cabeleira, o sobretudo e os sapatos e executa movimentos que, seguramente, há muito sonhava ousar. As sonâmbulas, chocam lentas e pesarosas contra as paredes; uma tira a camisa... e passado um bocado um homem entra, como que louco, com ataques de... de loucura, e depois já está abraçado à que tinha tirado a camisa; mas um homem vem que não os quer assim, muda-lhes os gestos, as posições, mas os primeiros voltam à originalidade do quererem estar abraçados como querem; mas volta o outro e troca-os, e eles desfazem-se e a situação repete-se números sem conta, até que já não sabem como queriam estar. E entretanto a outra mulher (a que choca contra as paredes) roda na porta que roda, colocada ao fundo da cena. E a ruiva persegue um homem como ela e...[entrada de diário sobre a transmissão de Café Müller na RTP2]
Já tenho saudades da Pina Bausch.
3 comentários:
Só quem não conheça a sua obra e/ou não tenha qualquer sensibilidade, poderá não ter saudades desta grande Mulher...
Abraços.
Ela não era apenas uma atriz-bailarina-coreógrafa-ou-sei-lá-quê-mais. Não. Pina Bausch foi um elemento fundamental na vida de cada artista que a conheceu. Ela inspirava pelo simples fato de ser quem ela foi.
Foi uma perda irreparável, não só para a Dança-Teatro, mas para toda a Arte. Mas pelo menos ela existiu e nos deu presentes do tamanho de um Deus.
Olá pinguim e Honório, obrigado pelos vossos comentários. Tive a sorte de ver um espectáculo da primeira apresentação da Pina Bausch em Portugal, o «Auf Dem Gebirge Hat Man Ein Geschrei Gehört». Depois, na seguinte, vi o «1980» e, na penúltima vez, o «Água»... O seu desaparecimento é uma enorme perda.
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