2009/07/30

para merce cunningham

Com um toque de ousadia, o blogue Wayne's Nude Musicians lembrou Merce Cunningham como "choreographer, an associate (perhaps, lover) of 20th century composer, John Cage" e fê-lo bem porque também nós tivemos esse pensamento, essa intuição! Cunningham nasceu a 16 de Abril de 1919 e faleceu a 26 de Julho de 2009. Da sua morte soubemos só no dia seguinte e foi em sua memória que de imediato colocámos na barra lateral o pequeno filme que reproduzimos abaixo e em que o víamos a dançar sobre música do amigo e compositor John Cage, esse reconhecidamente homossexual. A dança, a música, as artes plásticas giravam sobre si e à sua volta como um todo que precisa de acção e elevação para coexistir, para sobreviver mais além da banalidade, perdurar no tempo. Com ele partilharam momentos os artistas Jasper Johns, Roy Lichtenstein, Andy Warhol e Robert Rauschenberg. Nas suas coreografias usou a música de Cage, de David Tudor, Emmanuel Dimas Pimenta, Mikel Rouse e Gavin Bryars, mas também a dos Sonic Youth, dos Radiohead ou Sigur Rós. Talvez Merce Cunningham não seja ainda suficientemente conhecido, talvez lhe tenha faltado essa maior popularidade, esse "golpe de asa" de que falava o Mário de Sá-Carneiro mas que neste caso não poderia ser outra coisa senão a mera banalização a que sempre fugiu e que é a que hoje nos pisca o olho em quase todos os meios de informação.

2 comentários:

João Roque disse...

Não é (sobretudo, não era, ao seu tempo), uma dança fácil, a coreografada por Merce Cunninghan; foi toda uma transição para a dança moderna, que fugia ao tradicional e procurava novas formas de comunicação; hoje, devido a coreógrafos como ele, está absolutamente implantada no conceito geral do Bailado.
Abraço.

Luís disse...

Obrigado, Pinguim, pelo teu testemunho. Foi curioso também que o ÍPSILON do jornal Público tenha entretanto publicado o artigo "John Cage e Merce Cunningham: dois em um", no qual dá conta do relacionamento que existiu entre os dois criadores, definindo-o como de "amigos inseparáveis", "como irmãos" e "amantes".
Pena a perda - ontem - do nosso velho Raul Solnado. Velho, mas não demais. Até porque nunca se é velho para morrer! Foi uma perda que nos tocou a todos e sem dúvida ele permanecerá como um marco relevante da cultura portuguesa do século XX.
Um abração,