2009/11/17

"casamento homossexual"

Chegou ao fim o debate no Prós E Contras da RTP sobre o "casamento homossexual". No título pode aceder-se ao vídeo do programa, mas em poucas palavras diga-se já que tudo aponta para que haja "casamento homossexual" sem referendo, coexistindo em breve com o "casamento heterossexual" :-) O movimento pró-referendo atacou o mais que pôde, mas não fez muito mais do que mostrar (de novo) a sua profunda e angustiada falta de argumentos. Havia já quem comparasse a necessidade desse referendo ao que houve pela autodeterminação de Timor Leste, ou pelo alargamento da interrupção voluntária da gravidez (que coisa: no nosso caso era a maioria hetero a decidir sobre os direitos da minoria gay, no de Timor era como se nos quisessem dizer que foram os indonésios a decidir em conjunto com os timorenses sobre a sua autodeterminação e, no caso da IVG, até parece que haveria mais alguém para além de toda a sociedade a poder decidir sobre a questão do aborto!!!). Miguel Vale de Almeida tratou Ribeiro e Castro à altura, dizendo-lhe (pareceu-me e irei rever para confirmar) algo que só ele deveria entender. Se o recado ficou dado ou não, com essa gente de pouco vale. Mas o "casamento homossexual" não vai ter referendo. E, por favor, que fique de vez a ser referido apenas como deve: casamento! É disso que se trata, nem mais, nem menos.

7 comentários:

Anónimo disse...

Olá Luis,

Como já tinha referido, não perdia o programa por nada. Não fiquei é tão optimista como tu. Sei que existe uma inércia em relação ao casamento homossexual, mas não esperava que chegasse aos extremos que chegou. Os "não", bem tentaram, disparataram, mas temo que representem a maneira de pensar de muita gente. Na minha opinião, quem esteve muito bem foi aquela senhora cujo nome não recordo, que disse:

"Não é para ser muito ou pouco usado, é um direito e deve ser aprovado independentemente do uso"

A transcrição não é literal, mas é qq coisa do género:)

Luís disse...

Olá LJ,
O optimismo é uma grande ajuda para mantermos as nossas lutas de pé. É o que temos em oposição ao pessimismo preconceituoso de quem admite que quer um referendo para continuar a inviabilizar o casamento entre as pessoas que se queiram casar, independentemente da sua orientação sexual. É como a questão da adopção, que é uma falsa questão já que aí é de facto o superior interesse da criança que deve ser considerado e nunca outro como querem sugerir para atemorizar... Os adeptos do não ao casamento são-no pelo medo que têm de nós, de quem julgam que nós somos.... Como se todos os homossexuais fossem iguais, como se todos os heterossexuais fossem iguais também. Naquelas cabeças há ainda muita confusão, algo que nunca lhes passará completamente, por mais que queiram disfarçar hoje e no futuro. Eu ouvi o que tu citaste, creio que foi dito pela constitucionalista Isabel Mayer Moreira, que já tinha integrado a equipa do SIM no Prós e Contras sobre o casamento... E foi apenas uma das muitas coisas que deveriam ter sido ditas na noite de ontem, no debate, e que quase sempre não houve oportunidade de se dizer. Olha, cá em casa bateram-se palmas a uns e mandaram-se bocas a outros! É o mínimo...

Anónimo disse...

Eu não vi o programa, mas sei que haverá gente obtusa a barrar o caminho dos justos...

O problema é quando os justos desistem de lutar pelos seus direitos.

É preciso muita teimosia... paciência.
É como eu: continuo à espera duma respostas... Convidam-me ? ;)

Luís disse...

Engine: O Gonçalo pede-me para te responder que "não sabemos se haverá festa, mas se houver serás convidado..." Quanto ao resto, parece que há mais 2 obtusos (Nélinha e Pedrinho) também a fazer ondas pelo referendo (apesar de haver vozes discordantes e sonantes no próprio partido). Já agora, eu gostava de saber o que pensa disto o senhor Alberto João: é pelo referendo, acha que nem referendo merece, ou dirá simplesmente que na RAM não existem homossexuais e, por isso, a discussão do casamento nem se põe?!... E já agora: será que também os poderemos referendar a todos eles? A aprender com as suas posturas democráticas, eu iria por aí... Abraços,

Luís disse...

NOTA: No título da nossa entrada há uma ligação para a RTP e para o programa gravado. Quem não o viu (o Engine e outros) pode ainda vê-lo aí. :-)

Anónimo disse...

Concordo com o casamento mas nao adopção de crianças.

Luís disse...

Isso deve ser decidido por quem atribui a adopção da criança, sempre no interesse da criança. Não deve ser algo que a lei impeça, só pelo facto de o casal ser de pessoas do mesmo sexo. Ou será que entende (como muitos) que homossexualidade = perversão = pedofilia? Se pensa assim é um erro grande! É que perversão e pedofilia e todas as coisas tristes em que poderíamos pensar estão em todo o lado. É pegar no "catálogo" e escolher...
Casamento sim, adopção sim também! A escolha é feita à posteriori, haverá um filtro mas nunca um filtro desse género! É errado pensar assim!!! (Lamento, é a minha opinião que - no mínimo - é tão legítima quanto a sua!) Obrigado pelo seu comentário. A sério!...