Para facilitar, vamos por partes:1) Eu sou (somos, cá em casa) completamente a favor da extinção das barreiras legais ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e também sou totalmente empenhado (somos os dois) na igualdade civil (sem restrições) dos casais formados por pessoas do mesmo sexo aos de sexo diferente;
2) Daqui se depreende que somos também convictos defensores do pleno acesso à adopção, fazendo-a depender apenas dos factores que sejam justos (os habituais, vamos dizer assim) e não de um conceito de sexualidade limitado, baseado nos modelos que prevêem um só pai, uma só mãe ou então, preferencialmente, um pai e uma mãe como "a" fórmula naturalista (talvez a primeira, a da primazia, mas não a única que sobra);
3) Sem ir mais longe, com isto ainda nos espantamos (apesar de todos os maus exemplos de que vamos sabendo a todo o tempo) por a sociedade portuguesa continuar a preferir ter crianças órfãs e abandonadas nos seus orfanatos — os seus "meninos de lágrima" —, defendendo para essas crianças um ideal que acontece menos vezes do que seria de desejar, dando-lhes somente uma mão cheia de nada, que são as promessas ainda e sempre à espera de se cumprir;
4) O meu (nosso) projecto pessoal de família não prevê a adopção (pelo menos de imediato), mas tal não impede que defendamos e lutemos por mais esse ideal, na óptica de uma maior igualdade social para nós e para todos, incluindo as crianças de hoje e os homens e mulheres de amanhã;
5) Somos contra qualquer referendo sobre o acesso ao casamento civil (como já se explicou na entrada anterior), compreendendo-se que a alteração à lei do casamento possa merecer e encontrar o consenso mais alargado possível da sociedade e do Parlamento ao excluir o acesso à adopção;
6) Talvez essa seja a melhor solução política imediata para obter apoios em quadrantes mais amplos, retirando força ao reaccionarismo que se vai manifestando ainda na sociedade mais conservadora;
7) Apostando no futuro e na mudança, continaremos a lutar acreditando que o tempo mostrará a quem cabe a razão, fazendo com que estes meninos deixem de ter os seus olhos banhados de tristeza.
2 comentários:
Concordo inteiramente com os sete pontos.
Abraços.
Obrigado, Pinguim. Eram para ser 10 pontos, mas decidi simplificar e dar-lhe um número "mágico", para que corra melhor :-) Abraços,
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