Murmúrio de água na clepsidra gotejante,Lentas gotas de som no relógio da tôrre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...
Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas-ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos sòmente a Beleza, que a vida
é um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...
[Poema «Epígrafe», de Eugénio de Castro, na página 23 da «Antologia de Poemas Portugueses Modernos», por Fernando Pessoa e António Botto, da Editorial Nobel, Coimbra, 1944. Imagem a partir da escultura «L'Âge d'Airain» (A Idade do Bronze), de Auguste Rodin, 1875, exposta no Musée d'Orsay, Paris.]
3 comentários:
Não conhecia o poeta Eugénio de Castro; obrigado pela partilha.
A escultura de Rodin, é muito bela.
e que epígrafe tão inspirada! há dias assim, não é verdade? :)
pinguim: Não só passaste a conhecer o poeta Eugénio de Castro como, agora, ficas também a saber que é nosso "vizinho"... - http://maps.google.pt/maps?q=rua+eug%C3%A9nio+de+castro%2C+porto%2C+portugal - Já a escultura do Rodin tem algo mais a ver connosco e com um cartaz que eu fiz nos anos 80, para um concerto que ficou para a história...
Zoninho: É bem verdade que o Eugénio de Castro estava bem mais do que simplesmente inspirado, naquele dia. Sinal de génio de que, afinal, há muitos dias assim... ;)
Abraços,
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