Poderia ter escolhido uma imagem que ilustrasse os dois milhões de pessoas (os números variam entre 1,8 e 2,5) que desfilaram nas ruas de São Paulo durante o Gay Pride que decorreu no passado dia 17 de Junho, mas prefiro a provocação de mostrar aquilo que as pessoas socialmente correctas dizem que os homossexuais não deveriam fazer durante uma marcha com objectivos políticos como esta. Mas o que caracteriza o Pride (que não é uma manifestação partidária nem uma demonstração sindical) é precisamente o seu misto de activismo político, exercício de visibilidade, desafio provocatório e festa carnavalesca para descomprimir de mais um ano a sofrer no quotidiano os mais variados graus de repressão ou discriminação social — sim, desenganem-se os ingénuos, ela continua a existir. Será que uma intervenção mais contida seria mais eficiente? Será que umas coisas não podem coexistir com as outras? Espanha não tem já o casamento, apesar do excesso que, como em todo o lado, caracterizava o seu Orgullo Gai? E é porque a discriminação, o preconceito e, sobretudo, a hipocrisia continuam a existir em Portugal, que no próximo dia 24 de Junho em Lisboa e no dia 8 de Julho no Porto, as marchas do Orgulho, mesmo em proporção, ficarão muito aquém do que acontece em São Paulo, ou aqui tão mais perto, em Madrid. Gostaria de dizer que vou estar presente na rua, mas para já só sou capaz de garantir a minha presença no Sá da Bandeira, no Porto.
2006/06/21
sobre o gay pride
Poderia ter escolhido uma imagem que ilustrasse os dois milhões de pessoas (os números variam entre 1,8 e 2,5) que desfilaram nas ruas de São Paulo durante o Gay Pride que decorreu no passado dia 17 de Junho, mas prefiro a provocação de mostrar aquilo que as pessoas socialmente correctas dizem que os homossexuais não deveriam fazer durante uma marcha com objectivos políticos como esta. Mas o que caracteriza o Pride (que não é uma manifestação partidária nem uma demonstração sindical) é precisamente o seu misto de activismo político, exercício de visibilidade, desafio provocatório e festa carnavalesca para descomprimir de mais um ano a sofrer no quotidiano os mais variados graus de repressão ou discriminação social — sim, desenganem-se os ingénuos, ela continua a existir. Será que uma intervenção mais contida seria mais eficiente? Será que umas coisas não podem coexistir com as outras? Espanha não tem já o casamento, apesar do excesso que, como em todo o lado, caracterizava o seu Orgullo Gai? E é porque a discriminação, o preconceito e, sobretudo, a hipocrisia continuam a existir em Portugal, que no próximo dia 24 de Junho em Lisboa e no dia 8 de Julho no Porto, as marchas do Orgulho, mesmo em proporção, ficarão muito aquém do que acontece em São Paulo, ou aqui tão mais perto, em Madrid. Gostaria de dizer que vou estar presente na rua, mas para já só sou capaz de garantir a minha presença no Sá da Bandeira, no Porto.
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2 comentários:
em são paulo o pride me parece mais *sério*, se é que vocês me entendem. aqui no rio é só o carnaval. eu acho isso triste. ainda que concorde que os gays têm que extravasar nesse dia que é só deles, acho que a visibilidade é tanta que devia ser bem aproveitada. mais política, menos festa.
mas isso sou eu, que não sou gay, que sou branca e tenho (quase) tudo que preciso. quem sou eu pra julgar, né?
Lucy, eu percebo o que queres dizer quando dizes que tanta visibilidade devia ser aproveitada, mas, por um lado, acho que se pode combinar as duas coisas, por outro quem sou eu para criticar a festa — há muitos homossexuais que levam vidas muitíssimo difíceis e que só sabem fazer "política", naquele dia, de uma forma extravagante... Não esqueçamos, para além disso, que o famoso movimento de Stonewall (o ponto de viragem para os actuais 'prides') foi encetado por transgéneros na ressaca da morte de Judy Garland — a extravagância faz parte da manifestação desde o início ;-)
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