2008/04/11

libertem-se os lobos

Se calhar nunca fui grande fã da música clássica, mas também nunca deixei de o ser. Creio que a primeira vez que a ouvi "a sério" foi em 1977, atraído pelo encanto transgressor do filme de Ken Russell «Lisztomania». Liszt e Wagner estavam na ordem do dia e as «Rapsódias Húngaras», numa mistura de piano melodioso e variações folclóricas, eram uma verdadeira descoberta. Veio depois Chopin, muita música barroca e alguma portuguesa, sobretudo a de Carlos Seixas (ainda hoje uma paixão) e a contemporânea (não sei Luís Cília deveria ser mencionado neste momento, mas a música dele talvez tenha sido um começo também).
Se actualmente vivo da música, não sendo músico, é de surpresas que eu gosto. Não é de facilidades gratuitas, e menos ainda de seguidismos cegos, kamikaze. Por isso fiquei surpreendido ao deixar-me levar pelo relançamento de um disco editado no ano do centenário do nascimento do compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959), com o alto patrocínio do Brasil. Nele se ouve a(s) «Bachianas brasileiras No 1», uma «Suite for voice and violin», os «Preludes and Fugues from Bach's Well-tempered Clavier» e a(s) «Bachianas brasileiras No 5» numa muito inspirada interpretação do Pleeth Cello Octet (um octeto de violoncelos), com participações da soprano Jill Gomez e do violinista Peter Manning. As «Bachianas» de Villa-Lobos misturam os conceitos clássico e popular da música, com o objectivo de prestar uma homenagem a Bach e de criar a sua versão brasileira dos famosos «Concertos Brandenburgueses». São para recordar ou descobrir em qualquer versão, mas eu sugiro a que agora me encantou, lançada pela britânica Hyperion. A imagem na capa não é a de um lobo, mas a música sim. Que se libertem os lobos!...

6 comentários:

João Roque disse...

Infelizmente ainda não conheço a obra de Villa-Lobos, mea culpa, mea culpa!
abraço.

Anónimo disse...

Olha, vou apontar a sugestão! Abraço!

Denise disse...

Não aprecio muito Wagner, mas acompanho-te no que diz respeito a Lizt, Chopin e, sempre, C. Seixas. H. Villa-Lobos é um dos mes favoritos. Tenho por cá várias interpretações das suas Bachianas. De ouvir à exaustão ;-) Gostas do nosso Lopes Graça? Segue a mesma linha e é também muito bom.

Special K disse...

Também não conheço Villa-Lobos, mas venha Bach e Chopin.
Um abraço musical.

Luís disse...

Ping: Conhecerás, conhecerás... :-) Abc,

Rato: Espera que o disco apareça por cá (em série económica, que acaba de sair no UK). Acho que os apreciadores do Sakamoto mais clássico irão gostar também... Abc,

Special: Eu já conhecia Villa-Lobos, mas este disco fascinou-me. Porquê? Talvez alguém m'o diga um dia. Abc musical, então,

Luís disse...

Denise: (Perdão que passei à frente e quase esqueci de responder...) O Wagner vinha a propósito do «Lisztomania», nada mais. O nosso Lopes Graça não faz ainda parte da minha discoteca (apesar de ter 2 CDs do Opus Ensemble, a que parece que ele esteve muito ligado - digo-o pela anedota), mas confirmei a sensação que tinha de que também ele misturou clássico e popular. Hoje mesmo estive a ouvir a «Sonata No. 6, Op. 221» e outros trabalhos incluídos no CD da PortugalSom. Vou tentar ouvir mais. Obg,