No dia 31, Miguel Vale de Almeida contava no seu blogue, Os Tempos Que Correm, que tinham aprovado nesse dia, na Primeira Comissão (da Assembleia da República) "o projecto de resolução do Bloco relativo a medidas que visem impedir a discriminação de homossexuais e bissexuais na doação de sangue." Contava-nos que defendeu "uma questão de princípio: a distinção entre grupos e comportamentos de risco e a necessidade de gestos políticos anti-discriminatórios – sobretudo por parte de uma comissão de assuntos constitucionais, direitos, liberdades e garantias" e que "infelizmente o governo demorou demasiado tempo a resolver este assunto; poderia tê-lo feito, pois tratar-se-ia simplesmente de emitir uma normativa que impedisse certos hospitais e certos técnicos de inventarem e aplicarem questionários que são discriminatórios, aplicam conceitos de grupo mais do que de comportamento de risco, e não assentam em critérios científicos."No Bloco de Esquerda, José Soeiro assinala a pertinência ainda maior destas medidas porque bem recentemente se verificou uma excepcional carência de sangue disponível nos hospitais: "houve uma ruptura de stocks no Instituto Português do Sangue e, portanto, não faz sentido excluir pessoas capazes de dar sangue com base num preconceito. Isso prejudica o país, prejudica as pessoas que precisam de sangue e alimenta um preconceito injustificado", acrescentou. No seu projecto de resolução, o Bloco testemunha que "continuam a existir diversos serviços públicos de recolha de sangue que incluem nos seus questionários perguntas explicitamente homofóbicas".
Sem dúvida que as chamadas situações de risco encontram-se hoje disseminadas por toda a sociedade. Já não é possível sustentar que estão associadas a qualquer tipo de orientação sexual. Acreditar que todos os homossexuais têm sexo não seguro ou que todos os heterossexuais são um exemplo absoluto de comportamento sexual saudável é a mais pura das ilusões.
A imagem escolhida é da autoria do ilustrador Mario Wagner.
9 comentários:
Olá, boa noite.
A este propósito, sugiro a consulta do Boletim do GAT em http://www.gatportugal.org/media/10/File/ACTUALIDADE/AccaoTratamento/AT018.pdf.
Um abraço,
Francisco Herculano
PS: A imagem do blog é muito bonita.
Acabei de descarregar o documento e já lhe passei os olhos. Vou vê-lo com atenção, assim como o sítio do GAT. Obrigado pela partilha e pelos comentários (ao texto e à imagem). Abraço,
Eu amanhã vou dar sangue e claro que vou contornar o inquérito...
Que eu saiba, não estou sob juramento!
pelo menos há coisas em que se evolui. depois de tantos anos a bater na mesma tecla...: não há grupos de risco... há comportamentos de risco. ainda assim, muita gente não interioriza, tem de ser o legislador.
abraço
engine: Que eu saiba, não vais prejudicar ninguém! Assim, parece-me legítima a tua "objecção de consciência" ou seja lá isso o que for. Para breve uma outra abordagem - assim se espera - que produzirá melhores resultados - espera-se assim, também. Abcs,
Zoninho: O "legislador" tem muitas vezes um papel especialmente importante a normalizar as relações sociais - como exemplo recente, é ver a lei do tabaco!...
Abcs,
Actualização de informação!
O questionário que me pediram para preencher reflecte aquilo que o Zoninho escreveu: perguntaram-me sobre comportamentos de risco, sem nunca perguntarem-me a minha orientação sexual.
Ainda bem que nem sempre precisamos de legisladores para avançarmos!
PS: na minha opinião, se é obrigatório pagar impostos, então também devia ser obrigatório dar sangue!
Que fizessem excepções (óbvias), mas se queremos viver me sociedade, tinha se ser assim!
enGine: Plenamente de acordo com o método dos comportamentos, em vez do da orientação... Mas parece que há novas regras em movimento, só não sei se já são efectivas. Talvez não, porque isso seria demasiada rapidez para aquela a que nos habituaram. Vamos seguir... Abc,
O mais provável é que este pais anda a várias velocidades...
Pode ser que no sítio onde dei sangue não façam descriminação à orientação sexual, porque esta é ridícula: todo o sangue tem de ser testado, independentemente das respostas dadas pelos dadores.
Este país nunca deixará de andar a múltiplas velocidades. Nisso e noutras coisas!... Abc,
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