2006/08/08

comunicações de pelúcia

O mundo das telecomunicações mudou muito no nosso país, nas últimas décadas: quando eu era pequeno e ainda tomava a primeira consciência do mundo, ficava muito orgulhoso de ter na minha cidade, a segunda a nível nacional, uma entidade que se chamava Telefones de Lisboa e Porto e que havia crescido desde a sua fundação para servir Portugal. Hoje sou cliente da empresa que veio a suceder aos TLP, mas esse orgulho de partilha, essa cumplicidade, dissipou-se por completo nos últimos anos. A sensação que me fica é que eu sou meramente o número 226xxxxxx da rede telefónica nacional e que o chamar-me Luís ou qualquer outro nome é-lhe completamente indiferente — quero eu dizer que a pessoa não conta, só talvez o potencial de lucro que o cliente pode gerar... Como se diria noutros tempos, pareço ser carne para canhão sendo que a carne é o meu dinheiro e o canhão são os cofres da empresa: é que 1) hoje não faz sentido para mim (e julgo que para muito pouca gente fará) que se tenha de pagar uma assinatura da linha telefónica (o hardware externo, por assim dizer), quando o mercado das comunicações está todo revisto e pensado em função dos consumos de cada um; depois, 2) no acesso à internet (pré-pago, por ser a opção mais em conta), também não faz sentido que seja cobrada a utilização em blocos de 10 minutos, pois isso só faz com que se utilize a net quando é imperativamente necessário ou por períodos mais longos...
Pois, a verdade é que não nos podemos mudar: não deixam, estamos tecnicamente limitados, aprisionados a um único prestador de serviços num mercado que deveria ser aberto e não monopolista!... No meu caso, telefone, internet e televisão/net por cabo são fornecidos pelo mesmo grupo de empresas. Reclamei, reclamámos, por diversas vezes e meios mas, como sempre, desta última também responderam com uma evasiva, que não corresponde à questão levantada nem nos satisfaz e por este andar também nunca corresponderá!... Alternativas? Se ficarmos pela casa que temos poderemos ter que esperar mais umas décadas pela evolução forçada do mercado, dos interesses de quem está no mercado; se nos mudarmos para uma outra casa (o que está em consideração, uma vez que a casa actual é arrendada e isso dá-nos mobilidade), talvez possamos de vez falar mais alto e bater mesmo com a porta.
Não me esqueci de identificar as operadoras de comunicações em causa, mas é tão óbvio que nem lhes ofereço esse privilégio. Quando muito, como na imagem, mostro o reverso da medalha e dou a conhecer os comparativos da operadora que escolheríamos!... A foto é de uma peça do escultor californiano Wes Modes (a visitar em thespoon.com) que tem por título Fuzzy Phone.

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