2008/05/14

fréjus: chapelle cocteau

Enquanto investigava sobre a possibilidade de nas nossas próximas férias fazermos um desvio até Fréjus — local onde se encontra situada a Chapelle Notre Dame de Jérusalem, última obra de Jean Cocteau iniciada em 1961 e concluída pelo seu pupilo e amante Edouard Dermit em 1965 — vim a descobrir um estudo fabuloso sobre os aspectos mais místicos da sua concepção, algo que deliciará não só os apaixonados pela obra do artista francês, mas também os que gostam de temas religiosos e misteriosos, verdadeiramente esotéricos e ao sabor do melhor «Código Da Vinci».
Lembra Corjan de Raff num estudo publicado em Andrew Gough's Arcadia que Cocteau se dedicou à decoração de igrejas e capelas várias, antes da sua obra final em La Tour de Mare, na vila de Fréjus (França). O projecto foi lançado por um banqueiro suíço que pretendia criar uma comunidade de artistas naquela localidade e convidou Cocteau para criar a capela com a ajuda do arquitecto Jean Triquenot. Apesar de ter morrido antes de o projecto estar concluído, Cocteau deixou bem claro como pretendia terminar a sua última obra. A partir de 1963 foi o seu companheiro Edouard Dermit que concretizou os murais e Roger Pelissier que se dedicou às partes cerâmicas e ao pavimento, ficando terminada apenas em 1965.
Das suas paredes exteriores octogonais (símbolo religioso da ressurreição), aparentemente desenhadas sobre o traço da Cruz de Jerusalém (símbolo das cruzadas muito ligado à imagem de Cristo, presentes no chão, no altar, no telhado, em todo o lado), há imensos sinais de que Cocteau não se limitou a fazer boa arte decorativa. Também por isso Cocteau terá sido um iluminado no seu tempo, conforme se entende ao ver a interpretação que deu à Última Ceia (com a visão do apóstolo Maria Madalena, muitos anos antes de ser tornado público pelo filme «Código Da Vinci»), bem como um entendimento quase certo de que o cálice sagrado — o San Graal — conteria afinal o Sangue Real... E isto é só um pouco desta história.
Na nossa passagem por Aix en Provence e Marselha, Fréjus é ainda um destino não seguro, uma mera intenção que no local se procurará concretizar. Mas por tudo o que aqui adianto e pela vontade de contactar in loco com a última obra de Cocteau (e com a de Dermit, no seu melhor), certamente num destes dias estaremos de passagem por lá. Por enquanto e para os que ficam, as ligações no título e no texto são mesmo para se visitar.

5 comentários:

sp disse...

Que interessante é o teu blog!!!

Um abraço... peludo.

pinguim disse...

Já tinha ouvido falar, vagamente desta sua última obra; agora fiquei muito mais elucidado...e curioso.
Abraços.

Luis disse...

SP: O teu também está bem, obrigado! Vou ver se te sigo mais regularmente a partir de hoje. Abraço,

Ping: Cocteau é uma figura de extraordinária riqueza. Por mais que o conheças, que conheças a sua obra, nunca te darás por satisfeito. Abcs,

Mariposo-L disse...

Adoro Jean Costeau , vou ver os link's agora mesmo :)

Luis disse...

Mariposo-L: Espero que... tenha gostado! Abraços para vocês,