«La Passion de Jeanne d'Arc» é um filme mudo realizado em 1928 por Carl Theodor Dreyer, que originalmente esteve para ser sonorizado. Num dos principais papéis, o de Jean Massieu, está o actor francês Antonin Artaud (na foto), mais conhecido como escritor. A obra de Artaud (1896-1948) é ampla em género compreendendo ainda, para além da escrita e da representação, o desenho. A sua vida singular foi marcada pela crítica estética e metafísica, pela deambulação e pela doença: em 1937 ele foi confundido com um louco, internado e transferido de manicómio em manicómio durante 9 anos. No hospital psiquiátrico de Rodez, onde permaneceu os últimos 3 anos de clausura, estabeleceu uma relação epistolar com o seu médico, que fez com que este reconhecesse o valor do doente-poeta. Estas cartas serviram para ancorar a sua consciência, moribunda pelos efeitos dos electrochoques - "que ninguém ignore os meus gritos de dor e que eles sejam ouvidos" - enquanto o conceito bilateral do Teatro da Crueldade germinava com «Le Théâtre et Son Double», uma das peças fundamentais da dramaturgia europeia do século XX. Artaud voltaria a contemplar a luz de Paris em 1946, dois anos antes da sua morte. É aí que realiza a emissão de rádio «Pour En Finir Avec Le Jugement de Dieu», que pode ser ouvida aqui.Importado do blogue l'avion rose
2 comentários:
Muito curioso este vosso édito.
Conheço Artaud (mal), de um livro publicado há tempos numa colecção que penso já não existir, e onde se encontravam textos, de poucas páginas sobre autores "malditos"; penso que era, salvo erro "ETC &...". Nunca o associei ao cinema, mas curiosamente vi esse admirável filme de Dreyer, talvez a melhor versão de Joana d'Arc jamais feita, que me perdoem Ingrid bergman e Jean Seberg, mas a actriz deste filme é um deslumbramento.
Obrigado por me terem feito recordar tudo isto.
Abraços.
Olá, obrigado de novo pelos comentários. A editora a que te referes é a "& Etc" e foi através dela que eu conheci e adquiri alguns livros preciosos para mim, de Al Berto, Jean Cocteau, Rui Reininho, et caetera. O filme vi-o na TV, e achei-o muito interessante, não sabia eu sequer que Artaud era um dos actores. Vale a pena rever, como vale a pena reler algumas pérolas daquela editora. Abraço,
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