2007/01/06

de cruzeiro seixas e cesariny

Cruzeiro Seixas é uma das figuras maiores da pintura portuguesa do nosso tempo. Nasceu em 1920, na Amadora, e cresceu com o expressionismo e o neo-realismo. Foi "amigo de peito" de Mário Cesariny (são os dois, na foto). "Tirei apenas o 5º ano de desenho da Escola António Arroio, mas com os professores nunca aprendi nada. Nunca gostei de aprender, a não ser comigo mesmo" - disse-o. E continuou: "Conheci o Mário Cesariny na escola António Arroio. Era um rapazinho lindo. Engatei-o! Nem tínhamos bem conhecimento do que era a homossexualidade. Nessa altura era tida como uma doença. A mim interessava-me fazer amor, não vício, isso nunca fiz. Namorados? Eu e o Mário?... Não, era coisa de garotos, que passou!... (...) Líamos muito o Régio. O Casais Monteiro menos, o António Botto depois. Estrangeiros, claro, havia o Oscar Wilde da «Balada do Cárcere de Reading»..." (mais aqui). É com Cesariny, Carlos Calvet, António Maria Lisboa e Mário-Henrique Leiria que que a partir de 1948 desenvolve actividade surrealista, assinando desenho e pintura, mas também objectos e poesia. A sua obra mostra-nos figuras híbridas, planos que valorizam a perspectiva e a profundidade de campo, contrastes luminosos, nuances de cor, surrealismo de uma espécie fantástica que deriva das propostas de Breton e Di Chirico.

Importado do blogue l'avion rose

11 comentários:

Anónimo disse...

Não haverá uma gralha num dos nomes? Parece-me que talvez seja Mário Henrique Leiria (e não Letria)... os dedos a voarem pelo teclado do computador provocam estas coisas... ;-)

Anónimo disse...

Goldmundo: Agradeço o reparo e por ele verifiquei que havia de facto uma gralha, que entretanto eu já corrigi. Optei por alterar de Mário Henrique Letria para Mário-Henrique Leiria porque me pareceu que esta grafia será também a mais correcta. Fico atento! Abc,

Anónimo disse...

tenho o prazer de ser amigo do cruzeiro seixas. fui responsável pela edição da sua obra poética completa nas quasi edições - ao tempo em que co-dirigi a editora - e mais tarde contei com um trabalho seu para a capa do meu primeiro romance, ilustrando uma das personagens do dito. tenho pelo cruzeiro uma admiração e respeito incomensuráveis. gostava que as pessoas tomassem melhor consciência da sua obra.
aprveito para lembrar um amigo comum, meu e do cruzeiro, que para mim figura no topo do surrealismo português, raul perez, fabuloso.
abraço

Anónimo disse...

Uma grande geração, sem dúvida, e de lutadores também, num Portugal onde fazer qualquer coisa diferente poderia ter - e tinha - consequências nada agradáveis.
Só sendo surrealista ou neo-realista é que se conseguiria dar o salto para cima e para fora, sem sair de cá.
Obrigado!

Anónimo disse...

Valter Hugo Mãe: Eu creio que o surrealismo passou por uma fase algo negra em Portugal, como se estivesse fora de moda, de que não se deveria gostar, que não era 'fashion' como dizem hoje... Mas felizmente esses tempos já lá vão, quer-me parecer. Vou tentar olhar com alguma atenção para a obra do Raul Perez, que não conhecia. Obrigado! Abc,

Ric: Concordo com as observações mas pergunto-me qual é hoje a nossa situação, o que somos nós que também damos todos os dias o "salto para cima e para fora, sem sair de cá"?.. E, para mais, é um povo quase inteiro a dar esse salto nesta 'jangada de pedra', não é?... Abc,

Anónimo disse...

o raul perez é um homem muito reservado. a sua obra tem sido comercializada pela garleria são mamede, e a página desta será o único lugar da net onde se pode ver alguma coisa. a cupertino de miranda fez uma retrospectiva fantástica ainda no fim do ano passado. existe um catálogo - não muito grande. o trabalho do perez é assombroso pela beleza e mais ainda pela técnica. uma tela dele pode levar meses a pintar (falo de pequenos formatos) e deixa uma textura quase nenhuma... vale a pena ver. parece desenho, mas é óleo. muito muito bonito.
ah, só para situá-lo um pouco, é lisboeta, e inicia a expor nos anos 70, não pertence ao primeiros círculos do surrealismo. começa a criar já numa nova vaga de surrealistas onde incluiría os meu amados poetas: antónio josé forte e carlos eurico da costa.

Anónimo disse...

quando digo que perez é lisboeta, quero dizer que vive aí, porque nasceu no minho, em 1944. e sim, estreia em 1972, com uma expo na são mamede.

Anónimo disse...

Amigo Luís
que bom ver que temos gostos comuns.
No dia 8 de Dezembro, no suplemento "Mil folhas" do Público, vinha um magnífico conjunto de artigos de homenagem a Cesariny, e eu seleccionei quatro que tenho vindo a postar no meu blog.
Já foi a vez de Cruzeiro Seixas ( A foto é a mesma, pois vinha no jornal) e ainda hoje juntei um poema do M.A.Pina.
E ainda falta um.

Anónimo disse...

Valter Hugo Mãe: Obrigado pelos comentários, que estimularam a minha curiosidade pela obra do Raul Perez...

Pinguim: Obrigado por mais este comentário, e pelo regresso de um um silencio que se notou. A minha entrada tem relação directa com a tua, no 'whynotnow' (há um link directo no "aqui" do meu texto). Achei giro encontrar também esta afinidade entre o Cruzeiro Seixas e o Mário Cesariny, sendo este último uma figura que felizmente tive a oportunidade de conhecer ao vivo, num recital de poesia em Lisboa. Abc,

Anónimo disse...

Luis, aqui, no Brasil, só recentemente viemos conhecer o Cruzeiro. Autor fabuloso. Seu blog é uma paixão. Estou viciado. Rs. Abraço carinhoso do Alexandre Bonafim.

Anónimo disse...

Obrigado, Alexandre. Fico feliz por tudo que me diz, especialmente pela apreciação da obra do Cruzeiro Seixas que é mais do que merecedora. Agradeço também o carinho da amizade e assim retribuo esse abraço.